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Ézio Evy: o brasiliense que
arrasa no time de Jum Nakao
Publicado em 28.09.2007 : : Thales Sabino, editor-chefe
Thales Sabino/Finíssimo
Quem é Ézio Evy: o estilista brasiliense que arrasa no time de Jum Nakao

Ézio Evy, 30 anos, estilista. O nome parece artístico, mas é dele desde pequenininho. Nos últimos anos, Ézio tem sido visto pouco na cidade, mas enche Brasília de orgulho. Nascido no DF e criado até a adolescência em Arinos, no interior de Minas Gerais, hoje ele vive em São Paulo, onde trabalha com Jum Nakao. O convite para integrar a equipe do estilista veio depois da performance de Ézio na primeira edição da Capital Fashion Week, em 2005. De férias em Brasília, o estilista falou com nossa equipe.

A história de Ézio com a moda começou cedo. Aos 17 anos, saiu de Arinos e foi morar com a irmã em Belo Horizonte, onde teve contato com a primeira geração do curso de extensão em Moda da Faculdade de Belas Artes, a primeira do país. A proximidade com a turma rendeu um curso de modelagem. “Foram dois anos só com isso. Aprendi desde o terno ao vestido de noite. Me aprofundei nisso. Em Belo Horizonte tive meu primeiro contato com a indústria organizada”.

Mesmo morando em Minas, Ézio visitava Brasília nas férias. “Comecei a fazer croquis e vender um por um nas lojas. Depois comecei a fazer o BSB Mix, bem no começo, quando o Mercado Mundo Mix de São Paulo estava em seu momento de glória. Era uma época com critério maior”, diz. Ele lembra que nessa fase os estilistas vendiam tudo.

Depois de três anos participando do BSB Mix, Ézio decidiu abrir um ateliê-loja. “Meu trabalho já começava a destoar da proposta deles e eu precisava oferecer mais conforto e suporte físico para minha clientela. Acho que foi a evolução natural sair do BSB Mix”, diz. Durante os oito anos em que fixou residência em Brasília, vieram outras duas salas, trabalhos com o Senai, Sebrae e UnB, até que Evy se mudou para São Paulo.

“Uma semana depois do meu desfile na CFW em 2005, Jum me chamou para trabalhar no desenvolvimento das peças da marca do tenista Gustavo Kuerten. Mal tive tempo de arrumar as malas”, conta. Desde então, morou em Florianópolis e, depois que acabou o trabalho com Guga, voltou para São Paulo. Ezio continua firme na equipe de Jum, que o indicou para trabalhar na coordenação da CVR, marca que integra o grupo Nutrisport, do Bom Retiro.

O que você estava fazendo antes de participar da primeira Capital Fashion Week?
Na época eu tinha deixado meu lado autoral de lado para trabalhar com o núcleo de vestuário do Senai, que prestava consultoria de estilo e modelagem para marcas de Brasília. Naquele momento eu queria sobreviver, ter gasolina no carro e poder fazer supermercado como qualquer pessoa. Queria reverter meu trabalho em conforto.

E como rolou a idéia de entrar na CFW?
Todo mundo ficou me falando para entrar porque sentia falta das minhas criações autorais. Eu estava no Fashion Business [no Fashion Rio] e recebi a visitinha de Paula Santana, Márcia Lima, Juliana Moreira Lima e Zuleika de Souza, que fizeram o maior escândalo para eu apresentar o projeto como novo talento da primeira Capital Fashion Week. Eu resisti porque estava sem tempo, mas depois de uns dias acabei entregando o projeto nos últimos minutos. Mandei para elas por e-mail.

Então a seleção estava praticamente definida?
Elas foram super corretas e fizeram questão que eu seguisse o caminho normal, como os outros candidatos. Eu e mais nove fomos selecionados e depois nos disseram que o Jum faria a orientação.

Que lembranças você tem daquela coleção?
Comecei com uma coleção metade masculina e metade feminina. Jum gostou muito da proposta masculina e disse que não dava para executar o feminino no prazo. Então desdobramos a linha masculina para a feminina. Fiz uma parceria com o grafiteiro Leandro Mello.

O que você observa que mudou na cidade nesse tempo?
Não vim na segunda edição da CFW, mas dá para ver que há muitas mudanças. Acho que a cidade precisa querer que a moda se fortaleça, não com corporativismo, mas com maturidade mesmo. Os estilistas e empresários, não apenas os que participam dos eventos de moda, mas todos de uma forma geral, precisam trabalhar para não deixar a engrenagem parar.

Thales Sabino
Editor-chefe do ParouTudo e colunista GLS da Tribuna do Brasil
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