: : Orgulho
Contagem regressiva: Governo
lança Conferência Nacional GLBT
Publicado em 30.04.08 : : Texto e fotos: Thiago Malva/ParouTudo

Na última terça-feira (29), representantes de Direitos Humanos do Governo Federal se reuniram no salão negro do Palácio da Justiça para lançar oficialmente a Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais. A pouco mais de 30 dias para o início dos trabalhos, a expectativa é grande, tanto do lado do governo, quanto da militância.O resultado da conferência será a criação do ‘Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de GLBT’.

Paulo Vannuchi, ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da Presidência da República (SEDH/PR), encabeça com satisfação essa vitória.

“Esste documento não é uma lei, são recomendações aos três poderes públicos para nortear a discussão e criação das leis. Mais ainda, teremos a demanda para gerar campanhas diretas com a sociedade”, destaca o ministro. Dezenas de conferências regionais estão sendo realizadas pelo Brasil para que então mil participantes se reúnam nos dias 6, 7 e 8 de junho em Brasília.

O tema central é ‘Direitos Humanos e Políticas Públicas: o Caminho para Garantir a Cidadania GLBT’. Os números são preocupantes: a cada três dias, um gay ou lésbica é assassinado no Brasil. Nesta semana o Grupo Gay da Bahia divulgou o dado de que em 2007 foram mortos 122 homossexuais, coincidentemente o mesmo número do projeto de lei que criminaliza a homofobia, o PL 122.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, esteve no evento e explicou que é fundamental que as pessoas entendam e respeitem a diversidade sexual. Outros secretários especiais estiveram presentes na solenidade os secretários especiais de Políticas para as Mulheres, ministra Nilcéa Freire, da Igualdade Racial, ministro Edson Santos. Ambos enalteceram a importância da discussão multilateral e a interlocução entre os ministérios.

Representando a primeira empresa pública a reconhecer a união de casais homossexuais em planos de saúde e previdência, a presidente da Caixa Econômica Federal em exercício, Clarice Copetti, também compôs a mesa. Na platéia, parlamentares, assessores e muitos militantes, com destaque para o presidente da ABGLT, Toni Reis.

: : Marta Suplicy: turismo gay-friendly

Marta Suplicy, ministra do Turismo, foi a última a ir ao púlpito e merece todo um capítulo à parte. Ela é pioneira na batalha por políticas públicas pelos direitos LGBT e ano após ano acompanha os passos da militância. Nos diferentes cargos que exerceu, manteve a defesa dos diretos humanos como bandeira. Agora tem a nova tarefa de tornar o Brasil um país amigável para turistas gays de todo o mundo.

“Foram muitos anos até chegarmos onde estamos agora. Finalmente podemos realizar essa conferência, um passo gigantesco para a sociedade poder discutir algo que ficou tantos anos emperrados no cenário nacional. O importante é a democracia, onde todos possam ser ouvidos”, explicou a ministra.

Entre os anos de 1995 e 98, Marta foi deputada federal pelo PT/SP e durante o mandato escreveu o projeto de lei 1.151/1995 que disciplina a parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo. Após 13 anos, o PL continua em discussão no Congresso Nacional. Como prefeita da cidade de São Paulo, em 2000, incentivou e apoiou o movimento social, em especial a Parada do Orgulho, que se tornou o maior evento turístico do país.

Desde o ano passado, à frente do Ministério do Turismo, Marta tem tido a preocupação de criar uma imagem gay-friendly do Brasil no exterior. A intenção é que no plano a ser produzido na conferência sejam encontrados os mecanismos de tornar o Brasil um país que respeita a diversidade sexual. “Queremos um país livre de preconceitos, um Brasil da diversidade, aberto para todos os turistas de países do o mundo”.

As ações que já estão em andamento é o site promocional The Loveland, criado com intenção de promover as datas de paradas do orgulho e o patrocínio de jornalistas e formadores de opinião estrangeiros para conhecer os roteiros turísticos gays do Brasil. “A Argentina tem número acentuado de turismo gay porque lá eles respeitam os homossexuais. Os gays gastam 30% a mais que os turistas não-gays. (...) Com a política nada gay-friendly do Brasil estamos perdendo uma fatia de mercado que nos interessa muito”.

Em seu discurso, Marta também protagonizou uma cena um tanto embaraçosa ao citar dados de uma pesquisa americana sobre o turismo gay. Clique para ver no YouTube.

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