
Atração da terceira edição da festa Illusion no sábado (19) na Blue Space, o DJ paulista Lapetina volta à cidade pela segunda vez em clima de despedida: ele embarca no próximo dia 24 para assumir a residência de um novo clube no México, que inaugura no dia 26. A Karmabeat, projeto de Luis Barba (manager de DJs como Isaac Escalante), lança seu primeiro empreendimento batizado como Switch Club, que funcionará por pelo menos dois meses (oito sábados) e é Lapetina que abrirá e fechará a pista para grandes artistas como Tony Moran, que toca em maio, Paulo, que toca em junho, e Offer Nissim, que tocará em julho.
Fábio Lapetina (25) é nascido e foi criado em São Paulo. Formado em Administração de Empresas, trabalhou oito anos na área até outubro de 2007, quando decidiu se dedicar com exclusividade à produção de música eletrônica. No mesmo mês rolou sua primeira ida ao México, coincidentemente em seu aniversário, e a partir daí Lapetina tem se dedicado 100% ao ofício de DJ.
O ParouTudo conversou com o simpático moço, que contou novidades, um pouco de sua trajetória e as dificuldades se produzir no Brasil.
Como foi o convite para tocar no México?
Eu fiquei conhecido no México há três anos, quando uma música minha, meu maior hit: "DJ Lapetina - Do It (Damelo Papi)", fez muito sucesso por lá. Naquela época já havia rolado o convite, mas não consegui o visto para viajar. Daí conheci o Luis Barba na minha primeira ida ao país em outubro do ano passado em um after. Ele é uma pessoa fantástica e um empresário ousado e de visão! Está numa fase ótima e muita novidade em festa vem por aí, entre México e Brasil. Ele está negociando um intercâmbio entre a noite dos dois países que deve rolar com a Ultra Disel em São Paulo. Agora em março voltei a convite do Luis para tocar na Wonder Poolparty,a maior já realizada no México e foi um sucesso. A cena lá é grande e está crescendo.
E convite para a residência como foi?
O convite para residência no México foi uma surpresa pra mim. Veio após a minha volta de lá agora. O Luis fez suas pesquisas e chegou a meu nome como um dos residentes de sua nova casa. Me fez a proposta e eu não pensei duas vezes! É sem dúvida uma oportunidade única de crescer profissionalmente! Estou muito ansioso, quero dar o melhor de mim e levar muita alegria ao povo mexicano que tem me acolhido. É muito bom ser reconhecido por sua arte. Tenho já confirmado dois meses, mas se tudo der certo posso estender mais um tempo.
Conte um pouco da sua trajetória. Como foi virar DJ e também produtor?
Em 2002 eu presenciei o set do DJ Abel na extinta Level e depois disso tudo mudou. Me identifiquei com tudo que ouvi e vi! Comecei a me interessar por produção começando com Simples Edits e Reworks. Fiz um um curso de DJ certificado pela Piooner na DJ BAN. Em 2004, comecei a usar um software chamado Reason e nele produzo minhas musicas e remixes até hoje. Minha rotina como DJ está numa escala progressiva aqui no Brasil. Tenho tocado em cidades pelo litoral e interior de São Paulo, Curitiba e Brasília! Em 2004 ainda fui convidado a ser o DJ residente da Label Party Magma em SP onde toquei até 2006, mas nunca tive uma residência em clube. Este no México será o primeiro.
Como é sua rotina como produtor? Quais são suas influências?
Tenho produzido muita música private para meus live sets e também tenho lançado muita coisa na Beatport.com [maior loja virtual de música eletrônica] e pelo meu selo criado em conjunto com DJ Morais no final do ano passado: a Tribal Factory. Estou sempre procurando remixar músicas em que eu acredito e que me façam sentir emoções. Também presto muita atenção na reação de amigos que curtem balada mas não são ligados em música eletrônica. Procuro buscar minhas influências sempre em um som com ritmo, gingado e tribal! Meus mestres são Rosabel, Paulo e Tony Moran.
Como é produzir no Brasil?
Ser produtor no ponto de vista lucrativo não só no Brasil, mas no mundo todo é complicado! É fácil o acesso a músicas baixadas gratuitamente pricipalmente em blogs, fóruns e buscadores. Famosos selos como a Star 69 (Peter Rahuofer) e a Stereo (Chus e Ceballos) já pararam de produzir vinils dos novos lançamentos desde o início do ano passado e não só o vinil, mas atualmente é raríssimo uma label de música eletrônica lançar singles ou álbuns em CD. As vantagens de ser produtor nos tempos de hoje é que você tem um diferencial em relação aos DJs. Com a produção, é grande a exposição ao mercado nacional e internacional!
Quais são suas estratégias para que DJs toquem suas produções? Como você vê os ganhos que o MySpace proporcionou para este mercado?
Não tenho estratégias para que toquem minhas tracks. Para mim é um prazer e privilégio ter minha música tocada por DJs do mundo todo, porque confiam no meu som para suas pistas. Tenho muita sorte de ter grandes DJs e amigos que estão sempre ligados e companhando minhas novidades. O Myspace mais do que ajudar os DJs a entrarem em contato foi e é responsável pelo boom de novos produtores que apareceram nos últimos dois anos por todo o mundo. Uma verdadeira revolução musical! Hoje você pode conversar com seu artista favorito pelo Myspace e até rolar uma amizade virtual. Viva o Myspace!
Como foi tocar em Brasília em dezembro? Quais são suas expectativas para agora?
Tenho um carinho muito especial por Brasília e amigos queridos aí, que dão muito suporte e atenção para meu trabalho. A primeira vez agente nunca esquece, né? Foi fantástico conhecer a capital do Brasil e estar aí com pessoas tão maravilhosas como o Marcos Meirelles, Roberto César e Tiago Vibe, o responsável pelo meu ingresso a Brasília! Essa volta terá um sabor mais especial ainda, já que é a última festa em que toco antes de embarcar para o México! Estou ansioso para ver a Blue após a reforma. Com certeza será uma grande noite.