Prestes a completar um ano em sua função, Gilmar Golucho, DJ residente da boate Blue Space em Brasília ainda é desconhecido de muitos brasilienses.
O ParouTudo revela um pouco deste paranaense de 28 anos, nascido em uma cidadezinha chamada Santo Antônio da Platina. Gilmar chegou a São Paulo com dois anos de idade e lá morou até ser convidado para trabalhar na franquia brasiliense do clube.
Apaixonado pela noite, ele trabalha no meio há quase dez anos. Começou como barman, trabalhou com iluminação e há um ano acumula as funções de DJ e administrador da Blue Space no DF. Após a saída do DJ Vilson Santos, Golucho assumiu a residência principal da casa, dividindo as pick-ups com Luciano D’ Marco às sexta-feiras e outros DJs convidados quando há festas especiais no clube.
Apesar da experiência na cena, ele se diz que não tem costume de sair para a balada nem beber. Bem sincero, diz: "DJ tem que tocar o que o público gosta. E é o que eu procuro fazer".
Golucho conta que está gostando tanto de Brasília que nunca mais quer voltar para São Paulo. Cheio de simpatia, diz que suas maiores qualidades são a paciência e a persistência.
Como começou sua vida profissional?
Comecei trabalhando na Blue Space em São Paulo com 19 anos. Fui barman e iluminador. Foi uma coisa natural. Comecei a querer aprender as coisas dentro de uma casa noturna, fiz amizades com os DJs e quando vi já tava sabendo mixar as músicas. Trabalhei também na Massivo, que foi onde eu consegui uma projeção na minha carreira, e na Nostro Mondo.
Quando começou seu interesse pela música?
Aos 12 anos comecei a trabalhar nas festas de quermesse e aprendi a ligar caixa de som, montar aquelas estruturas, enfim, acho que foi ali que despertei o DJ. O engraçado é que quando eu era mais novo não gostava muito de música, mas a paixão mesmo se concretizou há 3 anos quando comecei a aprender a mixar músicas. Já o meu gosto musical vem mudando muito desde que cheguei a Brasília, o que mais gosto de ouvir ultimamente é um house fino, bem europeu.
Como foi a transferência para Brasília?
Estava passando por uma fase meio turbulenta na minha vida e aí surgiu a oportunidade de vir para cá. Me ofereci para vir e os proprietários da casa gostaram da idéia. Hoje, além de ser DJ residente trabalho também com a parte administrativa da casa.
Qual a coisa mais positiva de ser DJ e a mais chata?
A parte mais legal para mim é sem dúvida ser o centro das atenções. E a mais chata é estar tocando concentrado e vem um cara e fica enchendo a paciência pedindo tal música. Essa insistência é um saco.
Você poderia comentar um pouco sobre o repertório atual?
Eu não tenho repertório. Não faço o que a maioria dos DJs fazem que é montar set list. Eu toco de acordo com a vibração que eu sinto vinda da pista. Toco os hits, que não podem faltar. Gosto muito de dar uma mexida no público e misturar eletro com tribal e em seguida colocar um house. Penso sempre que tal música pode não agradar a todos e por isso meu set é bem incerto.
Você acredita que hit tem prazo de validade? Se tiver, qual seria?
O hit sempre vai ser um hit. Ele não tem época. Se pára de bombar, vira flashback e ainda assim anima o público. O hit funciona assim: a música pegou, aí se o DJ não toca, o público vai pedir para tocar. Aí quando toca muito, o pessoal diz que já está muito batido, aí eu paro de tocar e ainda tem gente que pede. É quando o hit vira flashback.
Qual a sua impressão da vida noturna de Brasília?
Tenho me surpreendido com a noite aqui. Disseram que aqui não tinha badalação, que o pessoal só saia nos finais de semana e segunda passada, para a minha surpresa eu fui a um bar que tinha quase mil pessoas. Em plena segunda-feira! Fiquei espantado! Acredito que em São Paulo não tem um bar que tem mil pessoas na segunda–feira. Eu acho a noite daqui muito boa.
Um produtor e um DJ que você admira e por quê?
Aprendi a gostar do Juanjo Mantin e hoje tento aproximar o máximo o meu som dele. É um trabalho que me inspira muito. Gosto muito de três DJs: o Robson Mouse, O Herbert Tom e o André Medeiros. Aprendi tudo que sei com os três. São excelentes profissionais.
Além da música, tem algum hobby?
Gosto muito de internet, adoro jogar bola e empinar pipa. Relaxo muito quando solto pipa, gosto desde criança.