As páginas dos dois principais sites da ComH Comunicação (ParouTudo e Finíssimo) amanheceram o dia 1º de dezembro com as cores diferentes e vão ficar assim por cinco dias. Em vez do verde escuro, no ParouTudo, é o vermelho que preenche o leiaute. A idéia é marcar a semana de combate à Aids.
Nossa equipe conversou com a super engajada presidente da ONG goiana LAÇOS - Associação Solidária ao Hospital de Doenças Tropicais - Letícia Marques sobre a importância das campanhas no país.
"Hoje o número de vítimas adolescentes que pegam Aids porque não querem discutir com o namorado o uso da camisinha é gigantesco. E na maioria das vezes ou contraem a doença ou (no caso das meninas) têm uma gravidez indesejada. O jovem precisa ter uma visão positiva do sexo e isso se consegue através da prevenção. Ao mesmo tempo o Ministério da Saúde precisa entender que nós temos que ter campanhas contra o HIV durante o ano inteiro", diz.
O presidente do grupo LGBT brasiliense Estruturação, Milton Santos, lembra a importância da data. "O mais importante do dia 1º de dezembro é que além da visibilidade do assunto, todos falam a mesma coisa, todos têm o mesmo olhar. Esse tipo de trabalho é muito importante para a sociedade brasileira porque aqui ainda se esbarra na visão de algumas pessoas sobre o que é moral e isso torna ainda mais difícil do que já é falar sobre DST, Aids e prevenção com os jovens e as mulheres".
Ele elogia a campanha do Ministério da Saúde. "Nada mais justo ter a Negra Li como rosto dessa campanha do Ministério da Saúde, além de estar na atualidade, é uma representação de mulher, negra e da periferia. Se o objetivo era chamar a atenção da população eles acertaram".
Apesar de reconhecer a importância da campanha na semana do 1º de dezembro, Letícia Marques chama a atenção das campanhas pontuais. "Elas estão na contramão da mudança de conduta porque para se mudar um comportamento é preciso discutir o assunto os 365 dias por ano com todas as camadas da sociedade. Por que se investe rios de dinheiro no 1º de dezembro e no carnaval se a gente faz sexo o ano inteiro?", diz.
: : Brasília, Brasil e o mundo
Conforme o boletim da Secretaria de Estado e Saúde SES/DF, lançado em agosto deste ano, as localidades do Distrito Federal que apresentam os maiores índices de casos com Aids, no período de 2004 a 2007, foram, em ordem decrescente: Asa Norte, Cruzeiro, Candangolândia, Guará, Lago Norte e Taguatinga. Mas a região Cento-Oeste é a segunda menor em número de casos.
De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde deste ano, de 1980 a junho de 2007 foram notificados 474.273 casos de Aids no País: 289.074 na região Sudeste, 89.250 no Sul, 53.089 no Nordeste, 26.757 no Centro-Oeste e 16.103 no Norte. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a incidência de Aids tende a estabilização e/ou queda. No Norte e Nordeste, a tendência é de crescimento.
A avaliação do Ministério é de que atualmente existem cerca de 600 mil pessoas infectadas pelo HIV no país, a maioria delas atendida pela rede pública. Os gastos anuais com medicamentos, por paciente, são em média de R$ 5,4 mil. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos pela doença entre 1980 e 2006.
De acordo com o relatório da UNAIDS, estima-se que hoje em dia existam 33,2 milhões de pessoas com HIV em todo mundo e que em 2007 ocorreram 2,5 milhões de novas infecções.