: : Orgulho
Sem alvará, Barulho continua na mira da polícia
Publicado em 12.11.07 : : Da Redação
Fotomontagem
Polícia faz batida no Bar Barulho, dá baculejo em todo mundo e recolhe menores

Na última quinta-feira (8), aproximadamente 20 carros das polícias militar e federal estiveram no Bar Barulho. A ação fez parte de uma 'batida policial' feita no mesmo dia em diversos estabelecimentos do Distrito Federal.

Policiais armados abordaram praticamente todo o público que estava no bar, se referindo às pessoas como “bichinha” e “sapatão”, conforme denunciam alguns dos presentes. O público LGBT que freqüenta o bar está indignado com o incidente - segundo em menos de 20 dias.

As mulheres foram revistadas por policias homens, e não por policiais mulheres. Os menores de idade foram levados algemados para a delegacia, de onde só saíram com a presença de seus pais.

O ParouTudo conversou com Edivaldo Silva, proprietário do Barulho, para saber o que aconteceu e o porquê do ocorrido. “Aconteceu o que já havia acontecido antes. Eles invadiram o bar com a desculpa de que o alvará está vencido. Estou tentando renovar, mas o Governo do Distrito Federal não libera. Se for por alvará vencido, todos os estabelecimentos do parque deveriam ser fechados”, explica.

Daniela Lima, presidente do Grupo Lésbico de Goiás (GLG), estava presente no local e contou um pouco do que aconteceu. “Eles chegaram intimidando e dirigindo-se aos freqüentadores que ali estavam com palavras grosseiras, empurrões, palavras ofensivas e abuso de poder. Várias pessoas que estavam no local foram expostas à revista policial, interrogadas como se fossem criminosas”, disse ela.

Daniela se sentiu mal com a situação e questionou o sistema político de Brasília, quando se trata das Polícias Militar e Federal. “Palavras como 'bichinha' e 'sapatão' foram abertamente usadas pela ‘Tropa de Elite brasiliense’.Até onde vamos chegar com isso? Vivemos em um sistema falido, não-democrático, hipócrita, homofóbico, heterossexual, machista e burguês!”, desabafa.

“O bar barulho é o único bar GLS onde todas as tribos se reúnem. Se ele for interditado, muitos ficaram sem opção. Brasília perde e o meio GLS também”, diz o freqëntador Daniel Leão.

Edivaldo disse que não ficará parado em relação a isso. Já há um advogado cuidando do caso e o motivo real da invasão é questionado. “Segundo o advogado, eles afirmaram que o Barulho põe em risco a vida das pessoas que vão ao parque porque é freqüentado por gays, lésbicas e putas”, conta Edivaldo, que reage: “Vou entrar com uma ação judicial contra os policiais.”

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