Soninha Moraes tem apenas 22 anos, mas é braço direito dos LGBT de Brasília. Trabalha como voluntária no Estruturação, rala pela diversidade há mais de três anos e, em setembro deste ano, foi eleita secretária geral da ONG. O ParouTudo bateu um papo com ela para saber um pouco mais sobre seu trabalho.
Soninha se considera bissexual, conta que não sofre preconceito algum dos amigos e se diz apaixonada pelo trabalho. “Gosto demais do Estruturação. Quando as pessoas me perguntam sobre paixão, digo que sou apaixonada pelo Estruturação. É o que vem em primeiro lugar”, conta. E completa: “Volte meia, quando alguém fala de lá, meus amigos falam que é a ONG gay da Soninha. Todos sabem do meu trabalho e da minha orientação e levam numa boa.”
Além de secretária geral do Estruturação, ela é uma das coordenadoras de eventos, como o encontro na Pizza Hut, que reuniu várias pessoas em um rodízio de pizzas que teve lucro revertido para a ONG. Ela também é promotora de vendas e pesquisadora de opinião pública. Por isso se ausenta esporadicamente do trabalho voluntário, mas está lá sempre que pode.
A aproximação com a militância foi fácil porque Soninha já tinha vários amigos gays e lésbicas. Depois que subiu no trio das lésbicas em uma Parada do Orgulho de Brasília, ela ganhou uma camiseta e passou a ir nas reuniões do grupo de lésbicas do Estruturação. “Acho que me descobri uma militante nata naquele dia ”, conta ela, que disse que já conhecia o trabalho da do grupo por panfletos que recebia quando ia ao Bar Barulho. Soninha disse que se lembra de um jornalzinho chamado Coturno, que sempre ela lia.
Depois de conhecer e de ter se identificado com o trabalho, ela começou a ajudar em pequenas coisas na ONG. Foi ao Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Transgêneros (EBGLT), e foi uma das coordenadoras do voluntariado. Logo foi eleita conselheira fiscal do Estruturação e não parou mais.
No dia-a-dia de militância, ela coordena as falas das pessoas nas reuniões do grupo e também ajuda no trabalho com redução de danos, além de colaborar na divulgação do que acontece lá dentro. Todas as pessoas que trabalham na ONG são voluntários e, como não há remuneração, também não há horários definidos. “Se há um trabalho que precisa ser feito, fazemos, mas sem horário definido. A gente vai quando a gente pode”, explica ela.