Eis o que interessa à "arte
queer":
explorar – e remixar
“'Homosexual' é muito pesado. 'Gay' está bem como slogan, palavra de ordem, um termo para descrever nossa filosofia, nossa atitude em relação à vida. Mas não, creio eu, como título para o movimento. Eu prefiro as palavras usadas por nossos inimigos. (…) Eu agora gosto de 'queer' ou 'fag' [bicha] quando me sinto hostil. Assusta os heterossexuais quando você se refere a si mesmo com essas palavras. Se eles as têm usado pelas suas costas, e eles normalmente o fazem" (Cristopher Isherwood)
"Queer" em inglês quer dizer estranho, esquisito, algo que difere do convencional ou da norma. Pode ser usado de forma pejorativa ou mesmo ofensiva, em particular para se referir a homossexuais. Entretanto, nas últimas duas décadas, a palavra vem sendo apropriada por homossexuais e acadêmicos de forma afirmativa, em processo, aliás, semelhante ao ocorrido com o termo "gay" (literalmente, "alegre" ou "exuberante"). Entretanto, o tom provocativo de Isherwood na citação acima ilustra a novidade do " queer": para além de definir uma identidade, o termo implica um questionamento da norma e do normal, uma atitude de ativa contestação.
Para os teóricos "queer", interessa questionar e desestabilizar a falsa dicotomia heterossexualidade/homossexualidade, que define – opondo e hierarquizando – sujeitos e relações sociais na sociedade contemporânea.
Vale lembrar que, no inglês, o termo "queer" é também muito utilizado como forma curta para se referir a quaisquer indivíduos – e sexualidades – que fogem à regra dominante: gays, lésbicas, bissexuais, transgêneros, transexuais… Assim, uma mostra de "arte queer" reuniria obras feitas por autores LGBT, ou cuja temática é de seu interesse direto. Utilizado desta forma, a expressão perde força, ou mesmo razão de ser: torna-se um simples rótulo, que limita mais do que identifica artistas e suas obras. Ou, pior, serve como mera descrição de nicho de mercado.
Nas palavras de Guacira Lopes Louro, "mais do que uma identidade, queer sinaliza uma disposição ou um modo de ser e de viver". A "arte queer" seria aquela que se identifica com uma postura transgressiva e de contestação das classificações e normas.
Parafraseando Foucault, é uma arte que inventa relações, modos de vida, valores, formas de troca entre indivíduos que sejam realmente novas, uma arte que só tem sentido a partir de uma experiência sexual e de um tipo de relações que lhe seja próprio. A ambigüidade e a fluidez da sexualidade e das formas de representação: eis o que interessa à "arte queer" explorar – e remixar. Desta forma, a mostra Homo (queer remixed) não pretende delimitar fronteiras. Busca-se mais um "modo queer de ver o mundo" do que conceituação e a catalogação.
A escolha dos artistas procurou aliar representatividade a disponibilidade de trabalhos. A internet foi um suporte privilegiado, seja pela facilidade de acesso (artistas, pesquisa, público), seja pelo seu caráter self-made e remix.
Às experimentações na sobreposição de suportes e aos questionamentos do movimento remix (uma apropriação de obras alheias que dão origem a um novo e independente trabalho, na melhor tradição antropofágica), somam-se referências desse "modo queer" de lidar com rótulos, tão caro ao curador.
Além disso, apresenta trabalhos enquanto colecionador e artista, seja na condição de "DJ" da mostra como uma remixagem/releitura de obras alheias, seja no papel de "produtor" da obra.
: : Acesse: www.circular.art.br
Exposição até 31.10.2007 – Módulo I
Museu Antropológico - Universidade Federal de Goiás
Praça Universitária - Goiânia (GO)
22.10.2007 a 26.10.2007 – Módulo II
VIII Semana da Diversidade Cultural de Goiânia
Centro Cultural Cine Ouro
Rua 03 nr 1.016 – centro
Goiânia (GO)
06.11.2007 a 26.11.2007 – Módulo II
Galeria Circular – Café Savana
SCN 116
Brasília (DF)