Hugo Siqueira é mineiro e veio para em Brasília a trabalho há oito anos, transferido pelo Banco do Brasil. Nesse tempo, se apaixonou pela cidade, virou DJ e é importante colaborador da cena eletrônica e fashion. Criador do site-podcast Function! e colunista do site ParouTudo, Hugo acaba de lançar a galeria Arte Circular com a exposição virtual Homo Queer Remixed, que reúne trabalhos de artistas plásticos de Brasília, Goiânia e São Paulo.
Como você começou a trabalhar com a música?
Quando era adolescente adorava gravar fitas, comprava muitos discos e brincava de fazer mixagem para algumas festas de amigos. Mas, há alguns anos eu fiz um cursinho de DJ, que durou um mês mais ou menos, comprei as CDJs (aparelho para mixagem de músicas) e comecei a treinar mais. Depois disso comecei a tocar em festas sempre e fazer trilhas sonoras.
O que você gosta de ouvir e tocar?
Gosto de house e ultimamente estou ouvindo muito minimal, que é um som que vem da Alemanha. Além disso, trabalho muito com músicas regionais brasileiras, lounges e bossa nova para as trilhas que faço.
Você fez trilhas para muitos desfiles no último BFF. Como é o processo de juntar a música com a moda?
Para o último BFF eu fiz a trilha do João Queyroz, Fabíola Rodrigues e do Márcio Santos. Para cada um foi um jeito diferente, mas, sempre converso com eles para saber as idéias e o que eles estão pensando. No caso do João eu misturei três músicas que ele gostava recortando com outros sons parecidos. Já no caso da Fabíola, que teve a coleção inspirada na Maria Antonieta, a gente resolver fazer algo bem diferente do filme, com músicas mais pop com algo lírico. Ela ficou com bastante insegura no começo, mas adorou o produto final. Além dos estilistas do BFF, sempre faço as trilhas de desfile-shows do Ricardo Maia (o cabeleireiro).
Como você pesquisa as músicas para um trabalho?
Eu tenho um acervo de mais de 120 gigas no meu computador, o que dá mais ou menos 50 mil músicas. Geralmente pesquiso em programas de compartilhamento e revistas. Baixo tudo da internet mesmo.
O que você acha proibição do compartilhamento de músicas na internet?
Acho que cultura, se não for para uso comercial, não tem como limitar. Se você escreve uma música e não quer que ninguém reproduza, cante em um show, ouça, é melhor ficar escondido dentro de casa tocando. Essas leis são uma bobagem. Ninguém consegue travar um conteúdo na internet. Acho que você devolve algo para o artista dando o crédito para ele, falando de quem é a música que você toca. Não pagando por ela. Existem outros meios para os músicos ganharem esse dinheiro sem limitar o alcance do trabalho.
Como surgiu a idéia do Function!?
Quando ouvi falar em podcast pela primeira vez ele ainda era muito utilizado como um jornal online. Daí, conversando com o Nivas do site Tuntistun tive a idéia de colocar lá as músicas que eu pesquisava, pois sempre que fico mexendo com música eu gravo tudo. Ele cuida da parte de internet e eu dos conteúdos do site (os sets). O site é um jeito das pessoas se atualizarem, conhecerem músicas diferentes sem ter que ficar pesquisando como eu. Nem todo mundo tem tempo e saco de fazer isso.