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: : Noite

Consumo de drogas na mira
do Governo do Distrito Federal

Publicado em 12.10.07 : : Pedro Muniz, da equipe ParouTudo
Fotomontagem/ParouTudo
Drogas chamam atenção de governador do DF. Produtores GLS e delegado comentam

O consumo de drogas sintéticas em festas de música eletrônica, atualmente, é um assunto que tem gerado muita polêmica em Brasília. No mês passado, a morte de uma estudante de 16 anos que teria tomado ecstasy com vodka em um baile funk levantou a discussão sobre o uso da droga em qualquer tipo de festa. Desde então jornais locais chegaram a infiltrar repórteres em eventos para denunciar como funciona a venda de entorpecentes.

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, declarou que as administrações regionais devem ficar atentas e ter mais rigor na liberação de alvarás para festas eletrônicas (generalizadas pelo governandor como “raves”), como tentativa de diminuir o uso das drogas e a venda de bebidas alcoólicas para menores.

As festas GLS que são realizadas na cidade podem ser consideradas de música eletrônica e se enquadram no perfil de eventos que devem ser vistos com rigor pelo GDF. Os organizadores de festas, porém, dizem investir em segurança e médicos para que o uso ou tráfico de drogas não os coloque no mesmo grupo dos produtores de eventos onde tudo é liberado. Assim, esperam evitar problemas com as autoridades.

“A revista que é feita logo na entrada da festa serve para identificar se a pessoa está portando drogas ou arma”, diz a promoter Liliane Santana. Devido ao pequeno tamanho de algumas drogas, a identificação, na maioria das vezes, acaba difícil. É o que garante Adriano Leme, um dos sócios da boate Blue Space. “Hoje fica muito complicado encontrar a droga, pois elas são muito pequenas e fáceis de esconder”, conta.

Além da revista na porta, as festas contam com seguranças que circulam entre as pessoas a fim de identificar qualquer atitude suspeita, conta Fernando Toledo, produtor da Festa Fun. “Em minhas festas eu sempre desloco homens para observarem o comportamento do público na pista quanto ao uso de drogas, fumo ou qualquer tipo de anormalidade. Caso alguém seja pego usando ou traficando essa pessoa será convidada a retirar-se da festa”, explica.

Segundo o delegado Leonardo de Castro, da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), as festas GLS de Brasília não têm prblemas com drogas. “Nunca houve registros do uso e apreensão de drogas nesse tipo de festa, podendo o índice ser considerado zero. Nem os traficantes nem os usuários que foram pegos comentaram sobre o uso nessas ocasiões”, explica.

Em contrapartida Adriano, da Blue Space, diz que já ocorreram fatos dentro da boate. “No banheiro dos deficientes, que tem porta, já tivemos casos de pessoas que foram pegas se drogando. Ao serem descobertas, todas foram convidadas a retirar-se da boate”, relata.

Como política de redução de danos, para atender qualquer eventualidade que possa acontecer, nas maiores festas são montados postos de primeiros socorros que contam com brigadistas, médicos e enfermeiros. “Em toda festa, existe um local chamado ‘Ponto Fun’ que conta com no mínimo quatro brigadistas treinados para atender qualquer tipo de emergência”, conta Fernando Toledo. “Além dos brigadistas e de um médico, eu sempre coloco à disposição uma UTI móvel que levará para um hospital mais próximo as pessoas que não melhorem com o socorro que foi prestado no local”, complementa Lili Santana.

Nesta semana, o jornal Tribuna do Brasil publicou a denúncia de que a venda de drogas corre livre nas festas GLS. A matéria, assinada pela repórter Isabel Vilela, deixou claro que se fizer uma rápida pesquisa, o governador José Roberto Arruda veria que nem toda festa eletrônica é “rave” e mesmo as raves, assim como as festas GLS, bailes funk e festas de axé estão sujeitas a problemas com drogas. Não adianta querer evitar as festas para evitar o consumo.
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