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: : Goiânia
Combate à Aids e ao preconceito
em Goiânia é com Letícia Cintra
Publicado em 23.08.07 : : Da redação
Rafael Reche/ParouTudo
Presidente da ONG Laços, Letícia Cintra, organiza semana do orgulho em Goiânia

Neste segundo semestre, Goiânia está bombando com super eventos. Em setembro, acontece a Semana da Diversidade Sexual; em novembro, o Encontro Nacional de ONGs de combate ao HIV (ENONG); e, pra fechar o calendário com chave de ouro, em dezembro acontece o Contato, festival cultural da ONG Laços.

A Semana da Diversidade Sexual ocorre entre os dias 3 e 9 de setembro e antecede a 11ª Parada do Orgulho GLBT da capital goiana. A programação inclui mostra de cinema temática, exposição de arte homo, mesas redondas sobre cultura e qualidade de vida LGBT e concurso Miss Drag. Durante a semana, será feita uma pesquisa de campo com os participantes.

O ENONG, encontro político deliberativo, acontece entre os dias 4 e 7 de novembro. O encontro ocorre bianualmente, está em sua décima quarta edição e será realizado pela primeira vez em Goiânia. Existem encontros regionais de ONGs de combate ao HIV, chamados ERONGs. Desses encontros são escolhidos 600 delegados participantes e votantes para o ENONG. No encontro, são tomadas decisões importantes e discutidas estratégias e políticas de ações para a luta contra a Aids.

O Contato é como um festival de música eletrônica pró-saúde. O evento é realizado unicamente com doações. Desde os DJs que tocam até o espaço ultilizado, todo trabalho é voluntário. O Contato deste ano será animado pelos DJs Hooper e Hugo Siqueira (DF), Marcos Queiroz, Jordão e Pedrão (GO), e Igor Cavalera e Oscar Bueno (SP). O espaço é grande, e o Ministério de Saúde contribui com lounges para testes, palestras e panfletos explicativos sobre prevenção de alguns tipos de doenças. Durante o evento, são distribuídos preservativos gratuitamente aos participantes. No ano passado, cinco mil pessoas estavam presentes no Centro Cultural Oscar Niemeyer de Goiânia.

Para que tudo ocorra bem, no comando dos eventos está a ONG Laços, que desde 2004 é voluntária em projetos de combate a Aids e discriminação. A Laços presta auxílio ao Hospital de Doenças Tropicais de Goiânia e já realizou uma reforma na ala de pediatria do hospital, que agora é pintada e decorada com temática de circo. O número de mães que fazem o pré-natal aumentou e o trabalho no hospital teve progressos notáveis.

A presidente da Laços, Letícia Cintra, esteve em Brasília semana passada para o Seminário Nacional de Saúde da População GLBTT, que aconteceu no hotel San Marco. Além de ser presidente da ONG, ela é responsável pela criação do Contato e organizadora da Semana da Diversidade Sexual e o ENONG neste ano. O ParouTudo aproveitou para bater um papo com Letícia e saber um pouco mais sobre o trabalho que será realizado neste ano.

 

Você sempre fez trabalhos voluntários?
Não. Sou formada em Direito e trabalho como auditora fiscal.

Como surgiu a idéia de criar a Laços?
Em uma seção com uma terapeuta, fui aconselhada a fazer trabalhos voluntários. Comecei a trabalhar em hospitais e quando tive contato com a realidade, percebi que era necessário e possível fazer algo bem feito.

E qual o objetivo principal da ONG?
O trabalho da luta contra a Aids já existia bem antes de a Laços nascer. O objetivo era institucionalizar esse trabalho. É importante trabalhar pra cima. Sou contra a vitimização da Aids. É preciso oferecer oportunidades, não separar. Uma das primeiras coisas que fizemos no hospital foi criar um laboratório de informática.

Com quais recursos vocês realizam o trabalho?
Não recebemos verba do governo, nem temos fins lucrativos. O trabalho realizado é todo voluntário. A verba necessária vem de doações.

O que você espera da Semana da Diversidade Sexual?
Atingir o público alvo, que ao contrário do que se pensa, não é o LGBT. Esse público, de uma forma ou de outra, comparecerá nos eventos, e normalmente sabe lidar com a diversidade. A semana é um convite à sociedade goianense para um debate franco e aberto.

E o espaço LGBT?
O espaço LGBT já existe, é uma realidade. Da mesma forma é a cultura LGBT. Apenas é preciso que o povo conheça e reconheça. O direito de ser diferente já se tem, agora tem-se que lutar pelo direito de ser igual.

O ENONG é um dos maiores eventos de Aids do Brasil. Como você se tornou responsável pela organização?
É um prazer trabalhar com isso. Acho que fui chamada pela eficiência e organização do trabalho prestado no Contato de 2006. Claro que eu não faço nada sozinha. Eu coordeno apenas, quem faz a coisa andar mesmo são todos os voluntários os apoios que recebemos.

Como foi o primeiro Contato realizado?
Foi pequeno. Houve uma concentração na Praça Universitária e recebemos apoio de um grupo do Greenpeace, que estava em Goiânia com seu museu itinerante.

O crescimento do segundo Contato em relação ao primeiro foi imenso. O que mudou?
Chamamos atenção de vários grupos e conseguimos um grande apoio da mídia. Várias emissores de televisão e de rádio nos cederam espaço para a divulgação do evento.

Como está o andamento da terceira edição?
De vento em popa. Todos os colaboradores do ano passado já confirmaram para este ano. Os DJs e o line up já estão confirmados também. Tem muita gente querendo ajudar, e o último contato que recebemos foi da Coca-Cola.

E quem quiser ajudar, deve fazer o quê?
Na Laços não dizemos o que ninguém tem que fazer. As pessoas se oferecem e dão o apoio que está ao alcance de cada uma. Basta ter vontade!

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