: : Cinema e TV
Connie & Carla: um filme
de mulher para mulher
Publicado em 07.10.07 : : Marcos Alexandre mar.ale@terra.com.br
Divulgação
Shows de Connie e Carla são todos baseados em filmes e musicais cult

O mundo do cinema é essencialmente masculino, e pouquíssimas são as mulheres que recebem destaque e reconhecimento como diretoras, roteiristas e produtoras. Uma delas é a comediante e escritora Nia Vardalos, que entrou para a história da sétima arte ao mudar a cara do cinema indie americano com o filme My Big Fat Greek Wedding, lançado em 2003 e conhecido no Brasil apenas como Casamento Grego.

No ano de 2004, Nia escreveu seu segundo filme, e nele atuou também como produtora. Trata-se da deliciosa comédia Connie and Carla, que chegou por aqui em DVD com o nome de Connie e Carla, as rainhas da noite. Já fora do circuito indie e com orçamento bancado pela Universal, o filme tem uma direção de arte detalhada e super caprichada, e conta com um ótimo elenco liderado pela própria Nia, pela doce Toni ‘Muriel’ Collette e pelo charmosão David ‘Fox Mulder’ Duchovny, além de participações mais do que especiais da diva gay Debbie Reynolds e de dois atores que serão eternamente lembrados pelas suas atuações no seriado Felicity: Ian Gomez e Greg Grunberg.

Connie e Carla são duas cantoras super ingênuas que, depois de presenciarem um crime, precisam escapar dos bandidos que as perseguem. Elas então fogem para Los Angeles, onde acabam se disfarçando de homens e trabalhando como drag queens em um bar gay decadente.

Qualquer semelhança com o filme Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, de Billy Wilder) não é mera coincidência. Mas a intenção é esta mesmo, pois os próprios shows de Connie e Carla são todos baseados em filmes e musicais cult de grande sucesso junto ao público gay americano, como The Rocky Horror Picture Show e Yentl, por exemplo. Tais referências, assim como a própria presença de um ícone como Debbie Reynolds, podem até passar despercebidas por quem não tem conhecimento da cultura gay – mas isso não impede que o filme seja muito bem apreciado.

Além disso, ele é repleto de “lições de moral” que, apesar de aparecerem em tom de comédia, são relevantes para o nosso dia-a-dia recheado de mensagens publicitárias que nos incitam a um padrão estético quase impossível de ser seguido pela maioria dos mortais, sejam homens ou mulheres.

O DVD lançado no Brasil traz extras quase tão interessantes como o filme em si, e o site oficial http://www.connieandcarla.com/ também é bem completo: além de trailer e fotos, ele traz dicas de beleza para pessoas “normais”, um programinha que te ajuda a criar o seu próprio nome de drag queen e a história de drags e crossdressers desde o ano 1473 antes de Cristo até 2003.

Da próxima vez que for à locadora, passe direto pelas prateleiras de lançamentos e alugue Connie e Carla, um filme feito especialmente para a drag queen que existe em cada um de nós.

Marcos Alexandre
É colunista de cinema, colaborador do jornal A Notícia e outros sites.
Sua especialidade é crítica de filmes com temática GLS
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