Domingo é dia de Parada Lésbica em Brasília. E quem sabe tudo sobre os preparativos e expectativas do evento é Kelly Kotlinski, a Kaká, diretora executiva da ONG Coturno de Vênus, que já luta pelos direitos e reivindicações das lésbicas da cidade desde 2003.
Segundo Kaká, as expectativas para a Parada Lésbica deste ano são as melhores e são esperadas pelo menos 5 mil pessoas. ‘As expectativas são ótimas. Fizemos várias reuniões para fazer a Parada deste ano ser muito maior do que a dos anos anteriores.
O tema é ‘Lésbicas - rótulo político’. O slogan que acompanha flyers e banners na Internet é: ‘Seja lésbica por um dia – use esse rótulo a favor de alguém’. A visibilidade da parada LGBTTT é bem geral, com foco em todos os grupos’. “É importante que tenhamos a Parada Lésbica com caráter político. Não pode ser considerada só uma festa. É o jeito que encontramos para conscientizar e informar as pessoas que as lésbicas são discriminadas, e que esse quadro precisa ser mudado”, explica.
E rolam vários shows previstos para o dia da Parada Lésbica. A festa começa cedo, às 14h, na 505 Sul, com as DJs Telma & Selma, Bonnie e Clide, Lee e Ana, e Shirlei e Xena (que tocaram na festa da Parada Lésbica na sexta-feira passada, no Espaço Galleria).
Depois da Parada Lésbica, que tem fim previsto para as 20h, o público presente ainda poderá prestigiar várias apresentações com bandas de meninas, cantoras solo, duplas, trios e uma banda cover do Cranberries.
Em questão de comparação com as outras paradas, Kelly é categórica. “A primeira parada serviu para dar visibilidade à causa das lésbicas. A segunda foi uma forma de articulação com outros movimentos, dando ar político para a Parada. Movimentos contra racismo, MST, arnacopunk foram alguns dos grupos que participaram”. Para a Parada deste domingo, foram chamados todos os movimentos que estavam na segunda parada e juntos construíram a Parada de 2007.
As principais reivindicações da passeata deste ano é a ‘Criminalização da homofobia’ e ‘Lei de união civil homossexual’. Pelo menos 50 pessoas estão envolvidas na organização, desde pessoas ajudando a divulgar e-mail a voluntários no dia do evento.
Na Parada Lésbica, segundo Kelly, o mais difícil é juntar dinheiro. ‘As paradas gays no Brasil são apoiadas pelo Governo. No caso da Parada Lésbica não temos esse apoio. Todos os gastos envolvidos em trio elétrico e impressão de flyer, por exemplo, vem de dinheiro de doações, por isso a importância de todos ajudarem’.
Kaká acha importante o envolvimento de empresas do ramo LGBTT com a Parada. “A Parada Lésbica é um movimento da sociedade, para a sociedade. Quem tem que apoiar e juntar grana são os lugares que a gente freqüenta”, diz.
‘Quero que todo mundo vá lá. Porque é um espetáculo, é tudo muito mágico. A gente reivindica nossos direitos, querendo mudar o mundo. E também tem o lance da cultura. É o orgulho de ser lésbica que bate em nossas portas. Unidas venceremos’.
: : Mais que a parada
O grupo Coturno de Vênus lançou um livro neste ano chamado ‘Legislação e Jurisprudência LGBTTT’, que pode ser adquirido gratuitamente através de download no site, que possui leis e decisões judiciais em prol da comunidade LGBT. Quem quiser a edição impressa, tem que entrar em contato pelo e-mail que encontra-se no site (mas a publicação é dada somente para juízes, estudantes de direito, e quem trabalha na área jurídica).