No próximo 23 de setembro acontece a segunda edição da parada de Taguatinga. A entidade responsável pela manifestação é a Associação de Gays e Lésbicas Unidos das Cidades Satélites (Aglucs). O coordenador do evento é Elker Barros, que teve a iniciativa de realizar a 1ª manifestação, em 2006.
Em bate-papo com o ParouTudo, Elker afirma que a organização da Parada deste ano está sendo muito mais fácil do que no ano de 2006. “Estamos contando com o apoio da Administração de Taguatinga e parcerias. Superamos nossas expectativas em relação aos apoiadores”, diz.
Elker se descobriu militante quando foi convidado para fazer um programa de rádio em uma emissora comunitário direcionado ao público gay. “Com o programa, percebi a imensa necessidade dos gays de manifestar os seus desejos nas cidades de menor poder aquisitivo, onde a homofobia se manifesta de forma mais agressiva. É nas cidades satélites que o preconceito é mais violento. Portanto é importante sairmos às ruas para reivindicar nossos direitos”.
“Pretendemos conscientizar toda população do DF, independente de raça, sexo, idade e classe social. Neste momento temos que engolir nosso orgulho e mostrar o carão, sair às ruas e lutar pelos nossos direitos para sensibilizar a sociedade para uma cultura de paz, e não discriminação por orientação sexual”, afirma sobre o objetivo da parada.
Para o ativista sair do armário em algumas regiões do Distrito Federal é um desafio bastante arriscado para muitos LGBT. “O homossexual que se assume nas periferias é considerado um mártir, um herói”, diz.
Quais são as maiores dificuldades encontradas para organizar uma manifestação como essa?
São muitas. Mas a mais difícil é a captação de recursos. Apesar das dificuldades, estamos nessa, pois temos como objetivo lutar contra a injustiça e por um Brasil de todos nós.
Ainda é grande a homofobia nas cidades satélites?
Sim. Todos os dias ouço piadas. Até pedras já jogaram em mim. E isso acontece com várias pessoas. Recentemente teve a morte de uma lésbica, que foi assassinada brutalmente. Uma morte trágica. E ainda casos que não são divulgados e registrados. Isso realmente nos ameaça muito.
Que balanço você faz da primeira parada de Taguatinga?
Na primeira parada gay de Taguatinga tivemos um lado positivo e outro negativo. O positivo é que conseguimos mobilizar um grande número de pessoas (5 mil, na primeira manifestação LGBT fora do Plano Piloto), o que torna a parada ainda mais importante. O negativo é que alguns moradores da cidade manifestaram-se jogando água e ovos dos apartamentos nos participantes da parada. Sem falar que a concentração foi em frente a uma Igreja Evangélica que incentiva a homofobia. Não foi proposital. O mais importante é que conseguimos mostrar a nossa força, nosso orgulho. E a luta continua.
Quais são as expectativas para essa parada?
Que possamos transmitir nossa mensagem, que é ‘Por um Brasil de paz, humano, solidário, sem racismo e sem homofobia’. Precisamos cultivar a paz. Nosso país tem sido um verdadeiro palco de violência. Os LGBTs mostrarão solidariedade na parada de Taguatinga, que vai arrecadar brinquedos novos e usados que serão doados a uma instituição de Crianças portadores do vírus HIV.
E haverá alguma novidade na parada de Taguatinga neste ano?
Vamos realizar o primeiro seminário da diversidade sexual das Cidades Satélites, no dia 13 de setembro, no Teatro da Praça em Taguatinga. Também haverá uma festa que antecede a parada, que será no sábado mesmo, no bar Sem Comentários.