Moda
PARK FASHION – PARTE 3

Chilli Beans faz teatro na passarela: platéia ri, mas não empolga. Confira: Mercearia, Luigi Bertolli e 'coletivo de marcas' na opinião de Fred Lessa

07.04.06
Por Fred Lessa
Fotos: Agenda KB

 

A equipe do portal convidou Frederico Lessa para comentar os desfiles do ParkFashion. Fred é formado em jornalismo e trabalha com moda desde o início da faculdade. Atualmente é gerente da loja Alexandre Herchcovitch no ParkShopping. Confira as impressões do fashionista sobre as confirmações do outono-inverno 2006 das marcas que desfilaram na terceira etapa:

Chilli Beans

A segunda noite de desfiles do ParkFashion começou com o desfile da loja de óculos escuros Chilli Beans. A proposta da nova campanha publicitária foi personificada na passarela-palco. O tema era cinematográfico das pornochanchadas da década de 70.

A marca trouxe para a passarela ícones da época como David Cardoso e Rita Cadillac, além de utilizar figurinhas locais como as DJs Rafaella e Isabella Ferrugem e o cabeleireiro-celebridade Carlinhos Beauty. Acredito que todos que foram ver a apresentação esperavam algo totalmente diferente do que foi visto.

Era pra ser engraçado? Infelizmente não foi. O apresentador era péssimo e nada tinha a ver com o ilustre Chacrinha. Na minha opinião um fracasso. O colorido provocou agitação na platéia descontextualizada, que logo se cansou e rir e esperava ansiosamente o fim do teatro. Gongo para o sistema de som que falhou mais de três vezes! A Érika Palomino, diretora artística, assistiu ao show de
cabeça baixa. Claro, está acostumada a ver moda, não palhaçada.

Merceria

Tenho a impressão de que a primeira seção de desfiles deste dia foi reservada para uma moda mais fast-food. Aquela que vende, mas que não traz inspiração, só é cópia. Foi isso que a marca apresentou na passarela. Um mix de tudo que foi visto no Brasil e no mundo, algo feito por grandes lojas de departamento como Riachuelo e C&A.

Muita cor, muitas formas, muito tudo. Uma bagunça que não chega em lugar algum. Será que essa é a cliente Mercearia? É uma pena. A mulher tem que ter personalidade, e não pode se abster da possibilidade de ter o mínimo de conceito que o marca dispõe.

 

Luigi Bertolli

Uma loja de departamentos mais organizada, onde podemos encontrar peças bacanas para agregar um look descolado. O interessante neles é o fato de irem além do que podem. Mostrou moda no mesmo molde da Zara, que também é uma loja de departamento, só que muito mais conceitual que o normal. Cores neutras, tricots, silhuetas básicas, nada de mais. Porém manteve o bom senso, não exagerou e não quis ser o que não é.

 

 

Coletivo 3

Eu particularmente não gosto muito desse momento, já deixei claro aqui. Mas é um desfile que vemos muito rapidamente o que algumas lojas tem para vender. São poucas, mas vemos roupas interessantes.

Méritos para a Siberian com seu ar discreto e básico. A Body For Sure que ousou numa mulher hip hop, numa tendência americanizada. Levi's com um ar renovado, menos country, e a Mary Zaide que é linda de morrer, além de ser chiquetérrima. Gongo para a Caroline Won que ficou naquela coisa ultra brega, mas que é a cara da loja.

 

 

 

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