Cultura transformista “balança,
mas não cai”, diz produtor GLS

Publicado em 07.08.2007 : : Thales Sabino para o jornal Tribuna do Brasil
Divulgação

Marcílio Silva promove festa em homenagem à peruca e ao salto alto no sábado

Aos 37 anos, o professor de Biologia Marcílio Silva chegou a Brasília com 21. Veio de Pernambuco dar aula na cidade. Há 15 ele freqüenta o “meio”. Foi na New Aquarius, lendária boate gay no Conic, que teve contato com um universo que o encantou: o transformismo. Apesar de nunca ter se montado, nesses anos todos, Marcílio se tornou referência entre travestistis e drag-queens da cidade.

Começou assim. Em 1991, foi convidado para ser júri do Miss Beleza, produzido por Oswaldo Gessner, na New Aquarius. “Foi lá que comecei a me interessar pela cultura transformista. A casa estava cheia e as artistas mais belas da cidade desfilaram no concurso”, lembra.

Depois acabou virando assistente de Oswaldo na produção dos concursos e dos shows. “Eu era o divulgador e os flyers muitas vezes eram xerocados. Naquele tempo não se falava promoter”. Nunca mais parou, sempre ao lado de Gessner, por quem Marcílio diz ter profunda gratidão. “Me fiz promoter na New Aquarius e quem abriu as portas foi o Oswaldo”.

Marcílio lembra saudoso de Savana Sargentelli, travesti negra que fazia shows na casa e que morreu na Itália. “Ela era perigosa e todo mundo tinha medo. Mas sempre que tinha show dela, a boate entupia. A Savana era um mito. Todos a conheciam pela fama de violenta. E não era só fama. Eu mesmo tive que agradá-la várias vezes com presentinhos para poder colocar outras drags no palco. Se eu não fizesse isso, como a Savana era ciumenta, certamente ela ia bater nas novatas depois”, conta em risos.

Nesse tempo, ajudou muitos “meninos” a começarem a se montar, que depois de drag-queens acabaram virando travestis. “As drags mais maravilhosas foram embora, mas muitas já passaram dificuldade e dei apoio a todos. Das famosas, lembro da Yohanna Venturini e da Hellen di Castro, que chegaram a morar na minha casa por muito tempo. A Hellen foi expulsa de casa pelos pais quando começou a tomar hormônio e foi morar comigo. Hoje cada uma tomou um rumo na Europa”, diz.

: : Memória


New Aquarius lotada em dia de concurso de miss


Savana Sargentelli


Stella Star, na época Dellamares


Michelle X no corpo de jurados


Incêndio durante concurso


Hellen Di Castro

Sobre a “decadência” da cultura drag e dos concursos de miss transformistas em Brasília, Marcílio lamenta, mas não fica de braços cruzados. No próximo sábado, ele faz a Festa Arromba, na Galeria dos Estados, e planeja retomar o Miss Brasília Gay em setembro. “Hoje elas estão desvalorizadas, mas acho que as transformistas dão o brilho da noite gls. Na festa do sábado, vou levar as drags que ainda restam na cidade para desfilar”. Será como uma homenagem à “montação”.

A entrada da festa custa R$ 10. Tocam os DJs Luciano di Marco, do Barulho, e Marcelo Campos, do Oficina Club. E tem um esquema: até meia-noite, custa R$ 8 e ainda dá direito a um drinque especial.

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