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Tem gente nova na cena:
Breno Roque e Aline Ribeiro
Ele estuda Engenharia de Redes, tem 23 anos, e até pouco tempo atrás era apenas ‘espectador’ da cena de Brasília. Ela nem isso. Com 18 anos, não freqüentou boates, mas começou a sair para as festas de Lili Santana. Em comum, os dois têm o curso rápido de mixagem, a pouca experiência profissional e muita disposição. Breno Roque e Aline Ribeiro são dois DJs de tribal house que se ‘lançam oficialmente’ nesta noite, na festa Movida, na tenda da UnB. Na mesma noite, toca o paulista Rodrigo Lima, experiente DJ de São Paulo que nunca se apresentou na cidade.
Os dois se conheceram na DJ Academy, escola que ensina os passos da mixagem a marinheiros de primeira viagem. O diretor da escola, Téo Andrade, que trabalha como DJ há 18 anos, avalia os alunos: “O Breno foi uma ótima surpresa. Depois de poucas aulas, já sabia mixar direitinho e estava com um set ótimo. A Aline também é muito esforçada e já manda muito bem, sempre com versões novas de músicas no case”, diz.
O ParouTudo conversou com a dupla e ouviu, em ocasiões diferentes, o que cada um gosta de tocar. Realmente, os meninos têm potencial e parecem bem preparados para a estréia na festa de Norma Pinheiro. Podem ser, sim, uma boa oxigenação na cena.
De tão interessado em ser DJ, Breno Roque comprou um setup (mesa de som com CDJ e mixer) para treinar em casa. “Mixar não é uma coisa difícil. Com poucas aulas já dá para aprender e teoricamente qualquer um pode ser DJ. O que faz o diferencial de um bom DJ são os efeitos, a forma como ele modifica as músicas e, claro, o case. Ele tem que ter criatividade e domínio do que faz. Por isso comprei meu equipamento para treinar”.
Para se atualizar, o moço – que trabalha em uma multinacional de sistemas da informação – busca na web e com DJs de outras cidades os remixes ‘da vez’. “Baixo muita coisa da internet e nas viagens a cidades como São Paulo e Rio, ouço tudo, procuro versões diferentes, que pouca gente tem”.
Aline Ribeiro tem uma história interessante. Durante o dia, costumava ser babá do sobrinho e à noite estudava. Depois que conheceu Téo, se interessou pelo ofício de DJ e fez o curso. Deu tão certo que foi chamada para trabalhar na academia de DJs como monitora.
Ela diz que vai prestar vestibular para Moda, mas já brinca de produtora e coloca sua própria voz em alguns mixes. “Quem sabe um dia eu tenha coragem de fazer um live vocal. Mas por enquanto é um passo de cada vez”. Até o dia da entrevista, Aline usava o sobrenome artístico de ‘Gringa’. Antes que fosse tarde demais, optou por Ribeiro, seu nome de verdade, “mais forte”.
Há quem diga que estamos na era em que algumas profissões foram ‘popularizadas’ com a tecnologia. Fotógrafos, jornalistas, designers e DJs são alguns dos profissionais que se multiplicaram nesse esquema. Perguntados sobre um possível nariz torcido de quem já está no mercado, os dois não parecem incomodados: “Estamos começando, mas estamos atrás de nosso diferencial”, diz Aline. “Estou tranqüilo e seguro. Espero fazer um set bacana e que as pessoas curtam”, desconversa Breno.
Aline também não está nervosa. “Acho que vai ser legal e que vamos nos divertir muito com o público da Movida”. Ainda é cedo para profetizar qualquer coisa. Como a função pede constante atualização, os dois só devem cair nas graças do público se houver persistência. Sucesso que é sucesso não vem fácil nem a curto prazo.