Silvetty Montilla nunca pára,
mas conta tudo em ‘pit stop’
Publicado em 09.01.07 : : Thales Sabino
Reprodução
ParouTudo entrevista Silvetty Montilla, diva do humor
GLS no Brasil

Ela não pára, trabalha sete dias por semana. E é engraçada só de olhar. Não é à toa que Silvetty Montilla é considerada ‘diva’ gay brasileira. Onde se apresenta, leva o público ao delírio, cativa.

Há quase 20 nos palcos GLS, o ex-servidor público que fez mini-turnê na Europa no ano passado esteve em Brasília no último sábado para show no Parque da Cidade, em festa produzida pelo Bar Barulho.

Ainda desmontada [sem make-up] Sílvetty conversou com o ParouTudo. Super simpática, a artista falou de fama, trabalhos no teatro, política e comentou o novo CD lançado em dezembro, vendido por ela mesma após os shows. “É o mesmo esquema do meu disco anterior: tem paródias. As únicas faixas que vão por outra linha são as duas versões de Coisa Boa Pra Você, que são mais bate-cabelo”, descreve.

Pausa. Silvetty pede licença para ler uma mensagem que tinha acabado de chegar no celular. Era de Eduardo Santarello, militante de São Paulo que se mudou para Brasília para trabalhar na Secretaria Especial de Direitos Humanos – SEDH, no Brasil Sem Homofobia. “Vim apenas para te ver”, dizia a mensagem. Ela comenta: “Tá vendo? Tem coisas que não têm preço. Agradeço muito a Deus pelo carinho que recebo de todos”, diz.

Bom, ouvimos o CD. De fato, lembra muito o anterior. Talvez Silvetty devesse apostar mais nos drag-hits produzidos pelo DJ Rafael Lelis, que emplacou duas músicas dela e de Dimmy Kieer, porque são mais animados e dançantes. As paródias são engraçadas, mas só. Não dá para ferver na pista.

Confira o conversê:

O que 2006 teve de mais marcante em relação aos outros anos?
Nossa, foi um ano de muito trabalho. Estreamos o projeto ‘Segunda Acontece’ no teatro, fui para a Europa e fiz shows em Londres, Milão e Roma, lancei outro CD... não parei.

Já que você falou sobre seu terceiro CD... Por que demorou tanto para sair?
Era para ter sido lançado na época da Parada de São Paulo, mas não consegui terminar de gravar porque viajei para a Europa. Depois, foi o produtor musical do disco, Fernando Zubem, que não pôde devido a outros compromissos... enquanto isso, lançamos apenas a faixa Coisa Boa Pra Você, produzida pelo Raphael Lelis, o mesmo que fez a ‘Tô Bonita’ de 2005. Só perto do Natal é que saiu.

Você é sucesso entre o povão e entre as ‘finas’, como provou a pool party do estilista Rogério Figueiredo. É fácil transitar pelas tribos GLS?
Não é fácil. A maioria das artistas tem altos e baixos. Eu não. Trabalho sem parar há quase vinte anos. Fico feliz por ser bem-vinda em todos os lugares, mas não me iludo, sou meu próprio espelho. Tenho que inovar o tempo todo para surpreender, agradar.

Aqui em Brasília acham você ‘cara demais’ e poucos empresários te trazem. Seu cachê é caro mesmo?
Não sei de onde tiraram isso. Tenho o meu valor e cobro o que é justo e que vale pena para deixar as várias boates de São Paulo para fazer um evento como o de hoje [White Party do Barulho], que está lotado.

Você é considerada a diva gay do Brasil. O que acha disso?
Me deram o título de diva gay. É claro que é bom ser considerada diva, mas posso dizer sem a menor dúvida que sou a artista que mais trabalha na noite GLS, de segunda a segunda. No dia do aniversário do Rogério [Figueiredo] mesmo, fiz nove shows. Agradeço a Deus todos os dias pelo carinho que recebo e pelas oportunidades que tenho de trabalhar.

Como está sendo fazer teatro?
Estou adorando. Faço o ‘Segunda Acontece’ com outras artistas da noite. O projeto era uma vontade antiga de criar um horário alternativo para parentes, amigos de gays e o próprio público GLS que queria nos ver em outro dia da semana. É diferente de boate porque o público está sentado, na platéia, concentrado apenas no espetáculo. E tem outra peça que estou ensaiando e devo estrear agora no fim de janeiro.

Fale um pouco desse espetáculo novo. Como estão os ensaios?
Já era até para ter estreado. É uma comédia que se chama ‘As Três Marias’, dirigido pelo Marco Martinelli. São três irmãs que procuram desesperadamente um marido. Eu faço a empregada da casa.

Como foi ser considerada ‘um dos 10 gays’ mais influentes pela Folha de S.Paulo?
Foi maravilhoso, fiquei super feliz. Ainda mais porque foi uma votação feita internamente pelos jornalistas da Folha.

Você gosta de política, se informa?
Não sou uma pessoa política. Na época das eleições, quando o Léo [Aquilla] e a Salette [Campari] se lançaram para deputados, me diziam que se fosse eu, teria ganhado. Mas não é disso que gosto. Não me veria trabalhando como político. Acredito na política, tenho esperança de que um dia a coisa aconteça, mas só.

O que você achou da eleição de Clodovil como deputado federal?
Vou ser franco. Muita gente está criticando ele, mas digo que o Clodovil pode ser o que for, mas é inteligente, uma enciclopédia ambulante. Nunca tivemos intimidade, mas no ano passado ele me ligou no celular para se colocar à disposição e sempre admirei o profissional Clodovil, tanto na moda quanto na tevê. Acho que ele faz falta. Quanto às críticas feitas a ele como deputado... agora que ele vai estar lá dentro [da Câmara] pode ser que ele mude sua opinião em relação a nós homossexuais.

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