Caixa promove seminário
sobre Diversidade e arrasa

29.11.06 : : Thales Sabino
João Paulo Nóbrega

João Silvério Trevisan vem a Brasília e participa de painel na Caixa ao lado de Érika Kokay

A Caixa Econômica Federal promoveu na última terça-feira (28), em seu complexo cultural no Setor Bancário Sul, o 1º Seminário da Diversidade, evento que abriu espaço para discussão de temas relacionados à deficiência física, gênero, raça e etnia, religião e orientação sexual.

O ParouTudo foi convidado para cobrir o painel ‘Orientação Sexual’, que contou com a participação do escritor João Silvério Trevisan e da deputada distrital Érika Kokay. De antemão, nota 10 para a Caixa pela iniciativa.

Impressionante foi como em poucos minutos o conceituado escritor, autor de várias obras homos, como o clássico ‘Devassos no Paraíso’, conseguiu traçar um panorama da história da homossexualidade do país. Para quem já leu, foi como recapitular – com o autor – cada período destacado por Trevisan no livro.

Ao ser oficialmente apresentado a nossa equipe, o simpático escritor soltou um “Ah, muito prazer. Sou leitor assíduo do site. Dou muita audiência para vocês”. Bom ouvir isso de um cara como ele, né?

Trevisan abriu sua participação listando sinônimos da palavra homossexual. “Bichinha, viado, baitola, maricas (...) são palavras com que eu e alguns de vocês nos identificados”. Ao traçar uma linha do tempo dos ‘assuntos homos’, falou do fascínio que eles causam nos héteros (exemplo: casais homossexuais nas novelas); da ideologia judaico-cristã que teme qualquer sexualidade desvinculada da reprodução; de como os homossexuais jovens não se identificam com a imagem ‘guei’ construída pela mídia.

O escritor lembrou episódios da história mundial e nacional marcantas para a 'cultura homossexual', como a perseguição nazista, a revolução de Stonewall e a fundação do jornal O Lampião em plena ditadura militar. Esse último chama a atenção por, ainda na década de 70, fazer o que pregam muitos veículos de comunicação GLS atuais, em especial os sites. “Com O Lapião, resgatamos a linguagem do gueto guei e usamos as gírias de forma jornalística. Queríamos, com essa terminologia, esvaziar os mitos e conceitos negativos que aquelas palavras traziam”, explicou.

No trabalho

Em seguida, a deputada Érika Kokay, que é funcionária da Caixa, falou sobre o respeito à diversidade sexual do ambiente de trabalho. Kokay começou apontando que a família, que deveria ser o primeiro núcleo a servir de apoio aos LGBTs, é a primeira a rechaçar a sexualidade deles.

A deputada destacou também a persistência da ‘satanização’ da homossexualidade pelas igrejas e disse que – também no trabalho – os homossexuais sofrem por falta de amparo legal. “Uma sociedade que exclui, que condena o amor entre duas pessoas e não permite que o ser humano viva sua sexualidade de forma plena não é democrática”, disse.

“Há vinte anos, eu não veria espaço aberto na Caixa para essa discussão. As lutas estão avançando”, comemorou a parlamentar.

Érika encerrou sua participação dizendo que nesta semana Brasília conseguiu uma vitória na luta pró-LGBT: a reintegração de um cabo da Polícia Militar que havia sido expulso da corporação por ser gay. “Foram três longos anos de luta na justiça, mas finalmente conseguimos exigir que o Estado reparasse aquele erro”.

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