Parece que foi ontem...

26.08.06 : : Thales Sabino para a Tribuna do Brasil
Reprodução/TB
Versão impressa da coluna mostra formatos usados durante o primeiro ano de Diversidade


Nesta semana, quem diria, a primeira coluna GLS de Brasília em jornal impresso completa um ano. À primeira vista, parece que foi ontem. Porém, ao revirar minhas pastas de arquivo e reler superficialmente algumas das mais de 50 edições, percebi que não dá para achar que foi ontem. Muita coisa mudou, a começar pelo próprio jornal.

Quando estreou, a coluna ocupava a última página do extinto caderno Saber, aos sábados, ainda no formato standard, aquele “jornalão” difícil de carregar. Um dos editores chegou a pedir que retirassem minha foto do cabeçalho por medo de eu ser “atacado” na rua. A desculpa era boa, mas no fundo percebi que o jornal precisava sair do armário. Não adiantava ter uma coluna gay e não assumi-la.

Três meses depois, quando o jornal sofreu grande reforma editorial, que incluiu mudança para o atual formato, pensei que não fosse haver mais espaço para nosso projeto GLS. Para o bem desse público, não sei se foi por acaso, a coluna foi parar na última página do jornal. Foi quando ela explodiu do armário. Não era mais preciso abrir a Tribuna do Brasil para ver a coluna. Bastava passar pela banca e ver as costas do jornal pendurado.

Em abril, com a criação da revista TB Programa, a coluna ganhou mais espaço e se mantém até hoje com duas páginas – uma de notas e um “lado B”, com crônicas e reportagens.

Nesse meio-tempo, a Coluna Diversidade teve que ser digerida aos poucos pelo público hétero e GLS. No início, ninguém queria ser fotografado ou noticiado. O medo era maior do que o orgulho. Hoje a situação é diferente e as pessoas pedem para serem anunciadas.

Também nesse período, fomos homenageados com o troféu Beijo Livre de Direitos Humanos e recentemente citados em reportagem do UOL como um dos poucos jornais impressos, ao lado de grandes, como a Folha de S. Paulo e O Dia. Por mais de uma dezena de vezes, participei de programas de tevê e reportagens universitárias que abordaram a diversidade sexual.

Em junho, na semana da Parada do Orgulho, fizemos um caderno especial. Há um mês, ao deixar a edição na biblioteca do LGBT Community Center, em Nova York, fui surpreendido por um imigrante brasileiro que disse já ter lido a coluna na internet. É, a coisa está crescendo.
Às sextas-feiras, ao abrir a revista TB Programa, sinto-me orgulhoso do trabalho que realizo na Tribuna do Brasil e da responsabilidade que me é dada toda semana.

Pelos e-mails e comentários que recebo nas ruas; por poder representar tanta gente que ainda precisa se esconder; por fazer tantas pessoas refletirem sobre preconceito e discriminação; muito obrigado. Que outro ano cheio de trabalho venha pela frente.

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