Na última semana publicamos que de uns meses para cá novos atores têm ganhado espaço na cena do DF e que é importante que o público os prestigie, sob o risco de permanecer apenas com o que é ofertado por alguns poucos empresários da cidade.
Uma das figuras que têm diversificado nossos finais de semana é Liliane Santana, a Lili. Se cultura GLS tem tudo a ver com noite, ela mostrou a Brasília que tem a ver com o dia também. É Lili que comanda, em média um domingo por mês, eventos que começam às 14h e só terminam depois do “boa noite” do Fantástico.
No sábado (6), Lili investiu pela primeira vez em um evento noturno, na Churrascaria do Lado (entre o LakeSide e o Blue Tree), e mandou trazer de São Paulo o DJ Robson Mouse para dividir o line-up ao lado de Marcão BSB, aposta local da morena. Resultado: 2,2 mil pessoas passaram por lá e fizeram da festa um dos maiores (se não o maior) evento GLS pago de Brasília.
Nascida e criada em Manaus, a moça era dona de uma empresa que fornecia comida para empregados de fábricas de eletroeletrônicos por lá. Há cinco anos, veio passear em Brasília e se apaixonou pela cidade. “Vim passar um fim de semana na Micarecandanga e decidi que largaria tudo no Amazonas”, conta.
A história de Lili como produtora de festas é recente e começou por acaso. Em 2005, depois de trabalhar por quatro anos na Philips como supervisora de vendas, foi ficar três meses em Manaus com a família. Quando voltou, em julho, fez uma festa de aniversário com o convite custando R$ 10 e uma caixa de cerveja. “Eu esperava 200 pessoas, mas apareceram mais de 450. Tinha mais gente que eu não conhecia do que convidados meus”.
A notícia de que o evento tinha reunido “muita gente bonita” correu rápido e logo ela ouviu pedidos para que fizesse outro. E assim foi, por mais três vezes, nesse esquema “festa de amigos”, até que Lili percebeu que aquele poderia ser um filão a ser explorado. “Como não tenho família em Brasília, me sentia muito sozinha e sem ter o que fazer aos domingos. E vi que essa também era a realidade do público GLS. Foi quando tive a certeza de que fazer festas nesse dia era uma boa idéia”.
Hoje, com o nome forte, Lili arrasta cada vez mais pessoas para seus eventos. Detalhe: ela nunca investiu um centavo sequer em publicidade com panfletos ou anúncios. A única divulgação que faz é boca-a-boca e na internet, sobretudo pelo Orkut. E é pela rede que ela sente a repercussão de seus eventos. “O público fala diretamente comigo e acho isso ótimo. Aceito todas as críticas porque com elas eu posso crescer e fazer melhor, afinal sou nova no ramo”, diz.
Lili acredita que o segredo do sucesso de seus eventos talvez esteja na sensação de “exclusividade”, já que a informação corre pelas rodas de amigos, e também nessa pessoalidade que ela imprime no que produz. “Durante minhas festas, tento passar por todos os grupos e perguntar se estão gostando e acho que assim dou minha ‘cara’ às minhas festas”, conta.
A revista TB Programa conversou com Lili Santana. Confira:
Como era sua vida antes de vir para Brasília?
Eu era empresária e tinha uma cozinha industrial que fornecia refeições para as indústrias de eletrônicos de Manaus. No Amazonas o meio GLS também é muito fechado e eu freqüentava só o circuito hétero mesmo.
Quando você percebeu que fazer festas poderia ser um bom negócio?
Foi na quarta festa, quando caiu a ficha que o público já era grande demais para uma festa de amigos.
O que seria seu diferencial?
O público tem muito carinho comigo por eu me preocupar com ele. Quando ouço uma crítica, faço de tudo para melhorar. Acho que cativei por ser acessível. Não me preocupo só com quanto vou ganhar, mas também trabalho para deixar o público satisfeito.
Você diz que não se preocupa com esse aspecto, mas ganha dinheiro. Financeiramente não é compensador?
Claro que ganho dinheiro, mas também invisto muito e faço tudo sozinha, sem patrocínios. Dá trabalho e por isso, só quando vejo que o público está satisfeito me sinto realizada de verdade.
No início suas festas levavam a fama de reunir só barbies, depois isso mudou e hoje vai todo tipo de gente. A que você atribui isso?
Sim, no início tinha essa história mesmo, mas não gosto de panelinhas. Nas minhas festas eu tento reunir todos os grupos sem preconceitos. Acho que o povo precisa se misturar mais e passo isso em meus eventos, por isso mais gente tem aderido.
Qual comparação você faz entre o empresariado “hétero” daqui e de outras cidades?
Acho que aqui faltam grandes patrocínios e visão de algumas marcas em investir no público GLS. A maior parte das empresas simplesmente ignora o enorme potencial desses consumidores em Brasília.
E o que o empresariado GLS daqui deveria aprender?
Ouvir o público e investir naquilo que ele pede.
Como é seu dia-a-dia?
Vivo na correria de organizar festas e trabalhar na Panasonic. Mas posso dizer que sou exatamente aquilo que as pessoas vêem nas festas: brincalhona e comunicativa. Nas horas vagas gosto de ficar em casa, sair com meus amigos fora de minhas festas e saber quais são as novidades da cena.
O público heterossexual também tem comparecido a suas festas?
Sim, percebo que cada vez mais os héteros estão aderindo a eventos GLS e acho isso muito bom, afinal é a prova de que podemos nos divertir pacificamente juntos sem essa de colocar esse ou aquele grupo em guetos.
Já passou pela sua cabeça abrir uma boate GLS?
Boate eu não gostaria de ter, pelo menos por enquanto. Gosto do dia, de aproveitar a tarde. Quem sabe daqui a algum tempo eu não invento uma “Casa da Lili” para o povo ter para onde ir aos domingos se divertir? Mas teria que ser um lugar que eu pudesse renovar sempre e mostrar coisas novas de Brasília.
E o que você já está planejando a curto prazo?
Para os próximos meses quero preparar o primeiro aniversário das minhas festas, com uma mega-estrutura e que comece em um dia e só termine na noite do outro. Já pensei até em descer de helicóptero ou jogar pétalas de rosas lá de cima para meu público, que também faz aniversário comigo (risos).
QUEM ENTENDE | Lili Santana
Quando você ouviu falar de homossexualidade pela primeira vez?
No colégio em que eu estudava, diziam que o padre era gay.
Quem você escolheria para ser o par romântico de um filme de amor gay?
Marcelo Antony e Reynaldo Gianechini. Ai, adoro o Luciano Zafir e o "Sandy Júnior" [ela quis dizer só o Júnior] também (risos).
Você tem alguma bebida favorita?
Champanhe.
Qual foi o acontecimento mais importante do ano passado para você?
Ter voltado de Manaus depois de três meses lá e ter começado a fazer festas aqui.
Preencha o espaço em branco: Eu sempre tenho _____ na minha geladeira:
Champanhe.
Quem serve de inspiração para você?
Minha mãe.
Conte alguma coisa quem ninguém sabe sobre você:
Dizem que eu ronco, mas eu não faço isso!
O que consegue te irritar?
Mentira.
Desminta ou confirme algum boato sobre você:
Dizem que sou safada, mas não sou!
O último filme que te fez chorar:
O Segredo de Brokeback Mountain.
O último programa de tevê que te fez rir:
A Diarista.
O que mais te dá prazer na vida?
Um sorriso sincero.
O que você mais gosta/odeia no seu corpo?
Adoro tudo nele. (risos)
Preencha o espaço em branco: Na escola, eu era _____:
Sapeca.
Para onde você costuma fugir?
Para o Amazonas.
Qual a coisa mais antiga que você promete a si mesmo e que não faz?
Entrar na academia toda segunda-feira.
Uma característica que você tinha há muito tempo e que não tem mais:
Eu era muito preguiçosa para acordar cedo.
Quando vê uma bandeira ou alguma coisa do arco-íris você...
Penso que ali tem alguma confusão que tenho que ver de perto.
Um termo ou gíria que você ainda não conseguiu entender no mundo GLBT?
Fico confusa com a letra T e nunca lembro o que significa.
Diga algo que você nunca irá admitir quando fizer:
Soltar pum.
Preencha o espaço em branco: _______ e coçar é só começar:
Entrar em uma loja para gastar
Se você pudesse voltar ao seu tempo de colégio, o que você faria diferente?
Eu daria uma festa GLS na escola (risos).
Cite uma coisa que você faz que pode parecer estranha para o restante dos terráqueos:
Vou à missa toda quarta-feira às 6h da manhã.
O que você não tem tempo de fazer hoje que quer fazer quando se aposentar?
Ficar uma cadeira de balanço bebendo champanhe o dia todo.
Uma viagem inesquecível:
Fui de Manaus ao Caribe de carro.
Uma viagem esquecível:
Belém do Pará, a trabalho.
Quem consegue te irritar muito:
Políticos corruptos e evangélicos que não respeitam os GLS
Um erro no qual você persiste:
Sou muito coração mole.
O que é pouco que deveria haver mais:
Opções de lazer em Brasília.
O que é muito que deveria existir menos:
Pobreza nas cidades satélites do DF.
Nem Freud explica...
Discriminação com pessoas que se amam só porque são do mesmo sexo.
|