Há quase dois meses, a Tribuna do Brasil adiantou a notícia de que
Brasília terá, a partir de março, um Centro de Referência GLBT
viabilizado pelo governo federal em parceria com a organização
não-governamental Estruturação.
Nesta semana, voltamos a falar do centro motivados por um e-mail de
uma mãe que desabafou à coluna Diversidade que no ano passado mudou o
filho de escola duas vezes.
Com a volta às aulas, ela voltou a se preocupar, com medo de que o
garoto voltasse a sofrer preconceito dos colegas por seus trejeitos.
Carlos (nome fictício) tem 13 anos e não gosta de tocar no assunto com
os pais. "Ele prefere se isolar", conta.
A mãe diz que sente que o filho é gay, apesar de nunca ter ouvido a
confirmação dele. "Desde pequeno eu percebo, mas amo meu filho e não
me importo com o fato de ele ser homossexual. Me importo é com as
notas baixas e a falta de amigos. Não gosto de vê-lo triste", diz. Ela
finaliza com um pedido de que nós abordemos o tema para chamar a
atenção de educadores, pais que se identifiquem com a situação dela e
jovens que por ventura passem pelo mesmo que o filho.
Esse preconceito nas escolas tem um nome: bullying. A palavra serve
para definir todo tipo de perseguição no colégio, em geral, a
gordinhos, negros, narigudos, gays, lésbicas, portadores de
necessidades especiais e por aí vai. A história do garoto Carlos é
bastante comum. É provável que você tenha testemunhado algo parecido
ou que tenha sido alvo de discriminação quando estava na escola.
"Muitas vezes não sabemos o que fazer. Já soube de professor que
defendeu aluno e depois foi recriminado pelo pai dele dizendo que o
filho não precisava de defesa porque não era homossexual. Eu prefiro
tentar ajudar sem falar abertamente", conta uma professora de um
colégio particular da Asa Norte que pediu para não ser identificada."É complicado lidar com esse tema quando o aluno tem 10, 12 anos".
Como na adolescência poucos homossexuais têm coragem de levar o
problema para os pais, com medo que eles também os repreendam, a
maioria prefere se isolar. Quando tiverem início as atividades do
Centro de Referência GLBT em março, os jovens que sofrerem
discriminação por orientação sexual talvez deixem de ficar calados.
O centro vai prover suporte psicológico e de assistentes sociais para
as ítimas de homofobia e seus familiares. Cada caso será estudado
pelos profissionais do centro, que vão propor soluções, que podem ser
uma conversa com a diretoria e os professores da escola, ou medidas
mais enérgicas, como o acionamento da escola na justiça por meio de
advogados.
A ONG espera que dessa forma os jovens homossexuais que estejam na
escola passem a denunciar a chacota, aparentemente inofensiva, mas
que pode levar à violência física, vinda dos colegas de turma.
"Será a primeira vez que o DF terá um mapeamento da violência contra a
população GLBT de forma completa. Esperamos poder entender o cenário e
trabalhar com dados precisos para a diminuição dessa prática", diz
Júlio Cardia, responsável pelo centro.
Estruturação
SRTVS 701, Ed. Assis Chateaubriand. Bl 1, sobreloja salas 27/28.
Telefone: 3036-4544.
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