Sempre que está online, Ricardo bate cartão na sala de bate-papo 'SexoGay1 - Eles e Eles', do portal Terra. Porém, ao contrário da maioria dos gays brasilienses que entram no chat, o rapaz de 22 anos não está lá em busca de sexo, pelo menos não do convencional.
Ele quer apenas 'teclar pela webcam'. Ricardo diz que há mais de um ano não tem relações sexuais pessoalmente. "É muito mais prático na internet. Se algum dia rolar o interesse de voltar para a real, acho que vai ser tranqüilo, mas, por enquanto, não tenho vontade. Acho que na net faço mais sucesso", conta.
André, 26, tem a mesma opinião e também se diverte todos os dias com a webcam, apesar de encontrar pessoas ao vivo esporadicamente. "A vantagem do sexo virtual é que o cara pode estar a quilômetros de distância que dá na mesma".
O universitário Roberto, 23, não gosta do termo 'sexo
virtual' e diz que apenas sofisticou uma forma de se masturbar.
"É melhor interagir, ainda que pela internet, do que
fazer sozinho".
O portal americano 365gay.com trouxe nesta semana o resultado de uma pesquisa realizada na Califórnia que mostra que 6,5% dos homens que têm acesso à internet estão viciados em sexo virtual.
O estudo, comandado pelo sexólogo Al Cooper, ouviu 7 mil homens e constatou que grande parte deles passa de cinco a sete horas por semana online em salas de bate-papo, mostrando-se em webcâmeras ou navegando por sites pornográficos.
Segundo o especialista, uma justificativa recorrente entre os que
assumiram o vício na pesquisa é que fazem sexo virtual
para relaxar. Mas o médico norte-americano alerta: "Há
outras formas mais saudáveis de aliviar o estresse".
Outra resposta comum na pesquisa é a possibilidade que o
sexo virtual oferece de alguém realizar na internet o que
nunca faria na vida real. Para o doutor em psicologia pela Universidade
de Brasília e professor da Universidade Paulista Aldry Sandro
Monteiro, a prática em excesso pode deixar a pessoa desacostumada
com o contato íntimo humano. "Ela se desacostuma com
o cara-a-cara e não se relaciona bem com possíveis
parceiros reais".
Outro aspecto negativo que o comportamento pode desencadear é
o processo em que o indivíduo passa a viver a ilusão
em detrimento da realidade. "A identidade virtual se sobrepõe
à real e a pessoa passa a negar sua própria referência.
Ela não separa mais o que é e o que pensa ser",
diz Aldry, se referindo àqueles que criam um personagem "melhorado",
com características que não correspondem ao que ele
é de fato.
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