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BELEZA TIPO EXPORTAÇÃO

Concurso Tic Tac Mega Model realiza, na noite desta quarta-feira, no shopping Pátio Brasil, a etapa final da competição que classificou 20 modelos dos 300 mil inscritos na região Centro-Oeste

24.10.05
Por Thales Sabino, repórter e colunista do jornal Tribuna do Brasil
Fotos: Hiram Vargas/TB
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Há três décadas, o sonho de quase toda jovem adolescente era ser Miss Brasil. Hoje o desejo é outro: ser top model, de preferência internacional. Com menos pompa do que os desfiles de miss de antigamente, mas com muito mais badalação, o concurso Tic Tac Mega Model realiza nesta noite, no shopping Pátio Brasil, a etapa final da competição que classificou 20 modelos dos 300 mil inscritos na região Centro-Oeste.

No páreo de hoje, duas representantes de Cuiabá (MT), duas de Palmas (TO), uma de Itumbiara, duas de Rio Verde (GO), uma de Quirinópolis (GO), duas de Goiânia e dez de Brasília disputam três vagas para a final que acontece dia 18 de dezembro em São Paulo.

Em todo o Brasil foram registradas perto de 1 milhão de inscrições - todas de candidatas atrás do contrato de trabalho no valor de 100 mil dólares com a agência Mega Model, com filiais nos Estados Unidos e no México.

Idealizado por Nivaldo Oliveira, diretor da filial em Brasília, e Ely Assad, um dos diretores da agência na capital paulistana, o concurso de modelos é considerado o maior da América Latina. "A final deste ano está tão prestigiada que será transmitida ao vivo pela Rede Record para quase 130 países", adianta Nivaldo. Para ele, as dificuldades da profissão aparecem no início, quando muitos aproveitadores tentam tirar vantagens da inexperiência das novatas.

Além disso, como todo começo, o esforço é enorme, mas o retorno não é tão grande assim. "A modelo tem que dedicar com exclusividade todo o seu tempo para os trabalhos da agência, mas no início o cachê é desanimador", diz Nivaldo. Ele dá a dica para quem quer seguir carreira: procurar uma grande agência já conceituada no mercado para que desde o começo a modelo tenha uma assessoria de confiança.

Sonho compartilhado entre os adolescentes

"Adoro pisar na passarela e ver aquele tanto de flashes piscando", comentou Poliana Queiroz, 16 anos, moradora de Quirinópolis (GO), durante ensaio feito pela Tribuna do Brasil com cinco forasteiros que chegaram à cidade para o concurso. Há menos de uma semana, a garota retirou o aparelho dentário para poder concorrer na eliminatória de hoje. "Me falaram que eu não poderia participar se continuasse de aparelho. Não tive dúvidas, tirei no dia seguinte".

A adolescente pretende fazer vestibular de Nutrição, mas vai adiar os planos na universidade para se dedicar à carreira de modelo. Como a maioria das meninas que buscam esse sonho, ela planeja deixar a família e ir morar em São Paulo, onde se concentra o mercado fashion.

Em 1998, quando tinha 15 anos, a morena Camilla Christie não pôde participar da eliminatória final de um concurso semelhante. Hoje, aos 22 anos de idade, ela volta à competição representando Palmas, em Tocantins. "Meu pai não me deixou concorrer na primeira vez por achar que eu era nova demais", contou. A mãe da garota, Inez Oliveira, acredita que o receio é comum entre os pais. "Na época, o problema era com a gente, não com ela. Tínhamos medo da superexposição da nossa filha".

Interior de Goiás marca presença no concurso

Um trio de modelos veio de Rio Verde, cidade no interior de Goiás com pouco mais de 120 mil habitantes, para concorrer na final do Tic Tac Mega Model Centro-Oeste. Pela primeira vez na cidade, eles correm atrás da classificação no concurso em Brasília para seguirem para a final em São Paulo.

Desde que ingressou no mundo fashion, Wilsonil Alves da Silva Júnior, 17, deixou o nome de batismo de lado e adotou o nome artístico de "Júnior Alvez". A profissão é pouco valorizada pelos garotos dessa idade, mas Júnior não se importa com as chacotas que ouve. "Meus amigos brincam de vez em quando, mas também me incentivam porque sabem que esse é meu sonho", diz.

Conterrânea dele, a jovem de 15 anos Gabriela Pauka diz ter procurado na carreira de modelo uma "terapia" para deixar a inibição de lado. "Eu era muito tímida. Sempre fui mais alta que as pessoas da minha idade e por muito tempo isso me incomodou muito. Mudei de opinião quando percebi que poderia usar isso a meu favor e que seria uma boa forma de perder a timidez".

A mãe da garota fez a inscrição no concurso sem que ela soubesse. Agora, mais perto do prêmio, ela está segura do que quer. "Independentemente do resultado no concurso, pretendo me mudar para São Paulo e batalhar por uma carreira". Anielly Campos, 15 anos, que conheceu Gabriela em um desfile beneficente em Rio Verde mantém os pés no chão: "O mais importante é ter profissionalismo e se sentir pronta para encarar a maratona. Não dá para ficar com medo".

 

 

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