Em uma matéria publicada em outubro do ano passado aqui no ParouTudo (clique aqui) sobre filmes americanos com temática GLBT nunca lançados no Brasil, mencionamos um título pornográfico: Boys In The Sand. Produzido e dirigido por Wakefield Poole, em 1971, esse filme tem importância cultural por ser um marco na história da mídia e da visibilidade da homossexualidade.
É claro que, antes de Boys In The Sand, filmes com sexo explícito entre homens existiam há muito tempo – mas a produção limitava-se a curtas-metragens amadores exibidos em circuitos underground. Então, quando Boys In The Sand surgiu e quebrou alguns tabus, passou a ser historicamente considerado como “o primeiro filme pornô gay” pelo seu pioneirismo em alguns aspectos, pois foi o primeiro filme pornográfico gay a ter duração de longa-metragem, a estrear nos cinemas “oficiais”, a exibir créditos com os nomes dos atores e a faturar mais de 1 milhão de dólares. Além disso, Boys In The Sand é também responsável pela criação do primeiro ícone pornô gay masculino (o ator Casey Donovan) e é o único filme pornográfico já resenhado pelo tradicional jornal The New York Times em toda a sua história.
E como este filme nunca foi - e provavelmente nunca será - lançado no Brasil, resolvemos contar para você tudo que acontece em cada cena (e também algumas curiosidades de bastidores).
A concepção
Boys in the Sand foi idealizado, produzido e filmado por Wakefield Poole em 1971. O título foi inspirado no então polêmico The Boys In The Band , filme dirigido por William Friedkin em 1970.
Baseado na peça de Mart Crowley, esta foi a primeira produção do circuito comercial a apresentar, com completa clareza, personagens abertamente homossexuais e envolvidos romanticamente entre si. Poole resolveu aproveitar a onda, comprou alguns rolos de película, chamou alguns amigos e seguiu para a praia de Fire Island, onde realizou o filme que passou a ser reconhecido como o primeiro pornô gay da história. Boys in the Sand é dividido em três atos – todos com Casey Donovan no papel principal.
1 º Ato
O filme começa com o título e o nome de Casey Donovan escritos na areia. Logo após, da mesma forma aparece o nome do primeiro ato - Bayside With Peter Fisk - e partimos para a ação. Peter aparece andando sozinho pela praia até chegar a um local deserto, onde estende um cobertor na areia, tira a roupa e senta nu olhando para o mar. Logo ele vê um homem (Casey Donovan) em meio às ondas, que sai nu do mar e vem ao seu encontro já de pau duro.
Peter o acaricia, começa a chupá-lo e os dois entram no meio do mato, onde se beijam apaixonadamente e acariciam o pau um do outro. Casey se ajoelha, chupa Peter e os dois se deitam, se lambendo até chegar a um 69. Casey então coloca Peter de bruços e o penetra. Depois, vira Peter de barriga pra cima e masturba-se até gozar na boca e no rosto dele. Peter então chupa o pau de Casey melado de porra, o beija novamente e se coloca em sua frente para ser chupado. Depois, coloca Casey deitado e se masturba em pé até começar a gozar em cima dele. Neste momento, Casey levanta e coloca o pau de Peter na boca. A ação chega ao fim com os dois personagens invertendo os papéis do início: Peter entra nu no mar e some em meio às ondas, enquanto Casey veste as roupas de Peter, recolhe o cobertor e vai embora sozinho.
Curiosidades: Na época, Peter Fisk era o namorado de Wakefield Poole, que filmou este ato do filme em apenas dois dias e sempre às seis horas da manhã, para evitar que os atores fossem vistos pelos freqüentadores da praia. Mesmo assim, o trio percebeu que alguém os observava através dos arbustos... mas como os atores se excitaram com a situação, Poole ignorou o voyeur – cuja identidade ninguém nunca descobriu.
2 º Ato
O titulo do segundo ato aparece escrito na areia: Poolside With Danny Di Cioccio. Casey aparece sentado em uma mureta, com um jornal chamado GAY embaixo do braço. Ele sai para passear a apreciar a paisagem, depois vai para casa sozinho, toma banho de piscina nu, escreve uma carta e a coloca no correio.
Vemos então cenas que mostram folhas de calendário sendo queimadas ou voando ao vento, indicando uma passagem de tempo até que Casey receba o produto que solicitou pelo correio: uma pastilha que, quando jogada na piscina, se transforma em um homem maravilhoso (interpretado por Danny Di Cioccio).
Neste ponto, Wakefield Poole conta que o cinema vinha abaixo com as gargalhadas – que cessavam assim que o Danny nada em direção em direção à borda da piscina, chega até Casey, o beija e começa a chupá-lo. Logo ele sai da água e deita por cima de Casey, que em seguida começa a lamber o saco de Danny e a chupar o pau dele. Depois de muita chupação mútua de paus e bundas, Casey penetra Danny. Sem tirar de dentro, eles mudam de posição e Danny acaba sentando em cima de Casey. Mais chupação, e agora Casey é comido por Danny em várias posições até gozar no próprio peito. Eles tomam banho de piscina abraçados, depois saem para passear – Danny de camiseta vermelha e chapéu branco, e Casey apenas de calça jeans e sem camisa.
Curiosidades: a locação deste segmento foi a casa de um casal de amigos de Casey, e Danny Di Cioccio era na verdade um marceneiro que trabalhava na praia e por quem Casey se interessou. Casey e Poole o abordaram, descobriram que ele já havia trabalhado em filmes eróticos sem sexo explícito e o chamaram para Boys in the Sand – convite que Danny só aceitou após receber a autorização do namorado.
3 º Ato
O título Inside With Tommy Moore aparece escrito na areia. Casey acorda sozinho na cama (em uma casa diferente da do ato anterior) e vai tomar banho. Depois de se enxugar, vai nu até a janela e se exibe para Tommy, um operário da companhia telefônica que está trabalhando em um poste.
Tommy vê Casey de pau duro na janela e se afasta. Casey então entra em casa e imagina que Tommy está deitado no sofá da sala vestido apenas com o cinto de ferramentas de operário. Depois, ele imagina que Tommy está deitando na cama de bunda para cima... e Casey cai de boca com vontade. Em seguida, Casey pega um enorme consolo, lambuza-o com muita vaselina, senta nele e começa a se masturbar enquanto imagina mais cenas de sexo: primeiro Tommy chupa Casey, depois Casey lambe o cu de Tommy, enfia o dedo e penetra com tudo.
Depois eles trocam de lugar e Tommy come Casey em várias posições, até que Casey goze sentado em seu pau (que é na verdade o consolo do início da cena). Depois de gozar, Casey toma outro banho e sai andando nu pela casa, quando vê que Tommy - agora o verdadeiro operário, e não sua imaginação - está esperando por ele na porta de entrada. Casey sorri ao perceber que suas fantasias agora se tornarão realidade.
Curiosidades: Tommy era um garçom que morava em Fire Island, e era amante de Casey na vida real. A casa onde este segmento foi filmado era uma mansão inspirada em um templo asteca, que foi gentilmente cedida por seu morador - um senhor europeu de sessenta anos de idade não só deixou que Poole e sua equipe usassem a casa inteira por um dia, como deixou uma boa quantidade de drogas à disposição.
Como você viu neste artigo, o primeiro grande filme pornô gay da história não tem nenhuma lógica e conta com personagens bem inusitados, como o homem-pastilha, o rapaz que muda de casa sem explicação e homens que simplesmente aparecem e desaparecem nus em pleno mar.
Mesmo assim, é importante conhecer um pouco mais sobre Boys In The Sand – afinal, este filme é um ícone da história da cultura gay e abriu o caminho para a indústria da pornografia homossexual como hoje a conhecemos.
Boys In The Sand, de Wakefield Poole. EUA, 1971. 95 min.