Proibido para menores: os
bastidores de Boys In The Sand
Publicado em 24.03.07 : : Marcos Alexandre mar.ale@terra.com.br
Reprodução
Saiba tudo sobre o filme pioneiro da indústria pornô-gay Boys In The Sand

Em uma matéria publicada em outubro do ano passado aqui no ParouTudo (clique aqui) sobre filmes americanos com temática GLBT nunca lançados no Brasil, mencionamos um título pornográfico: Boys In The Sand. Produzido e dirigido por Wakefield Poole, em 1971, esse filme tem importância cultural por ser um marco na história da mídia e da visibilidade da homossexualidade.

É claro que, antes de Boys In The Sand, filmes com sexo explícito entre homens existiam há muito tempo – mas a produção limitava-se a curtas-metragens amadores exibidos em circuitos underground. Então, quando Boys In The Sand surgiu e quebrou alguns tabus, passou a ser historicamente considerado como “o primeiro filme pornô gay” pelo seu pioneirismo em alguns aspectos, pois foi o primeiro filme pornográfico gay a ter duração de longa-metragem, a estrear nos cinemas “oficiais”, a exibir créditos com os nomes dos atores e a faturar mais de 1 milhão de dólares. Além disso, Boys In The Sand é também responsável pela criação do primeiro ícone pornô gay masculino (o ator Casey Donovan) e é o único filme pornográfico já resenhado pelo tradicional jornal The New York Times em toda a sua história.

E como este filme nunca foi - e provavelmente nunca será - lançado no Brasil, resolvemos contar para você tudo que acontece em cada cena (e também algumas curiosidades de bastidores).

A concepção
Boys in the Sand foi idealizado, produzido e filmado por Wakefield Poole em 1971. O título foi inspirado no então polêmico The Boys In The Band , filme dirigido por William Friedkin em 1970.

Baseado na peça de Mart Crowley, esta foi a primeira produção do circuito comercial a apresentar, com completa clareza, personagens abertamente homossexuais e envolvidos romanticamente entre si. Poole resolveu aproveitar a onda, comprou alguns rolos de película, chamou alguns amigos e seguiu para a praia de Fire Island, onde realizou o filme que passou a ser reconhecido como o primeiro pornô gay da história. Boys in the Sand é dividido em três atos – todos com Casey Donovan no papel principal.

1 º Ato 
O filme começa com o título e o nome de Casey Donovan escritos na areia. Logo após, da mesma forma aparece o nome do primeiro ato - Bayside With Peter Fisk -  e partimos para a ação. Peter aparece andando sozinho pela praia até chegar a um local deserto, onde estende um cobertor na areia, tira a roupa e senta nu olhando para o mar. Logo ele vê um homem (Casey Donovan) em meio às ondas, que sai nu do mar e vem ao seu encontro já de pau duro.

Peter o acaricia, começa a chupá-lo e os dois entram no meio do mato, onde se beijam apaixonadamente e acariciam o pau um do outro. Casey se ajoelha, chupa Peter e os dois se deitam, se lambendo até chegar a um 69. Casey então coloca Peter de bruços e o penetra. Depois, vira Peter de barriga pra cima e masturba-se até gozar na boca e no rosto dele. Peter então chupa o pau de Casey melado de porra, o beija novamente e se coloca em sua frente para ser chupado. Depois, coloca Casey deitado e se masturba em pé até começar a gozar em cima dele. Neste momento, Casey levanta e coloca o pau de Peter na boca. A ação chega ao fim com os dois personagens invertendo os papéis do início: Peter entra nu no mar e some em meio às ondas, enquanto Casey veste as roupas de Peter, recolhe o cobertor e vai embora sozinho.

Curiosidades: Na época, Peter Fisk era o namorado de Wakefield Poole, que filmou este ato do filme em apenas dois dias e sempre às seis horas da manhã, para evitar que os atores fossem vistos pelos freqüentadores da praia. Mesmo assim, o trio percebeu que alguém os observava através dos arbustos... mas como os atores se excitaram com a situação, Poole ignorou o voyeur – cuja identidade ninguém nunca descobriu.

2 º Ato
O titulo do segundo ato aparece escrito na areia: Poolside With Danny Di Cioccio. Casey aparece sentado em uma mureta, com um jornal chamado GAY embaixo do braço. Ele sai para passear a apreciar a paisagem, depois vai para casa sozinho, toma banho de piscina nu, escreve uma carta e a coloca no correio.

Vemos então cenas que mostram folhas de calendário sendo queimadas ou voando ao vento, indicando uma passagem de tempo até que Casey receba o produto que solicitou pelo correio: uma pastilha que, quando jogada na piscina, se transforma em um homem maravilhoso (interpretado por Danny Di Cioccio).

Neste ponto, Wakefield Poole conta que o cinema vinha abaixo com as gargalhadas – que cessavam assim que o Danny nada em direção em direção à borda da piscina, chega até Casey, o beija e começa a chupá-lo. Logo ele sai da água e deita por cima de Casey, que em seguida começa a lamber o saco de Danny e a chupar o pau dele. Depois de muita chupação mútua de paus e bundas, Casey penetra Danny. Sem tirar de dentro, eles mudam de posição e Danny acaba sentando em cima de Casey. Mais chupação, e agora Casey é comido por Danny em várias posições até gozar no próprio peito. Eles tomam banho de piscina abraçados, depois saem para passear – Danny de camiseta vermelha e chapéu branco, e Casey apenas de calça jeans e sem camisa.
 
Curiosidades: a locação deste segmento foi a casa de um casal de amigos de Casey, e Danny Di Cioccio era na verdade um marceneiro que trabalhava na praia e por quem Casey se interessou. Casey e Poole o abordaram, descobriram que ele já havia trabalhado em filmes eróticos sem sexo explícito e o chamaram para Boys in the Sand – convite que Danny só aceitou após receber a autorização do namorado.

3 º Ato
O título Inside With Tommy Moore aparece escrito na areia. Casey acorda sozinho na cama (em uma casa diferente da do ato anterior) e vai tomar banho. Depois de se enxugar, vai nu até a janela e se exibe para Tommy, um operário da companhia telefônica que está trabalhando em um poste.

Tommy vê Casey de pau duro na janela e se afasta. Casey então entra em casa e imagina que Tommy está deitado no sofá da sala vestido apenas com o cinto de ferramentas de operário. Depois, ele imagina que Tommy está deitando na cama de bunda para cima... e  Casey cai de boca com vontade. Em seguida, Casey pega um enorme consolo, lambuza-o com muita vaselina, senta nele e começa a se masturbar enquanto imagina mais cenas de sexo: primeiro Tommy chupa Casey, depois Casey lambe o cu de Tommy, enfia o dedo e penetra com tudo.

Depois eles trocam de lugar e Tommy come Casey em várias posições, até que Casey goze sentado em seu pau (que é na verdade o consolo do início da cena). Depois de gozar, Casey toma outro banho e sai andando nu pela casa, quando vê que Tommy - agora o verdadeiro operário, e não sua imaginação - está esperando por ele na porta de entrada. Casey sorri ao perceber que suas fantasias agora se tornarão realidade.

Curiosidades: Tommy era um garçom que morava em Fire Island, e era amante de Casey na vida real. A casa onde este segmento foi filmado era uma mansão inspirada em um templo asteca, que foi gentilmente cedida por seu morador - um senhor europeu de sessenta anos de idade não só deixou que Poole e sua equipe usassem a casa inteira por um dia, como deixou uma boa quantidade de drogas à disposição. 

Como você viu neste artigo, o primeiro grande filme pornô gay da história não tem nenhuma lógica e conta com personagens bem inusitados, como o homem-pastilha, o rapaz que muda de casa sem explicação e homens que simplesmente aparecem e desaparecem nus em pleno mar.

Mesmo assim, é importante conhecer um pouco mais sobre Boys In The Sand – afinal, este filme é um ícone da história da cultura gay e abriu o caminho para a indústria da pornografia homossexual como hoje a conhecemos.

Boys In The Sand, de Wakefield Poole. EUA, 1971. 95 min.

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