Sete filmes que ‘elas’ não
querem que a gente assista

09.10.06 : : Marcos Alexandre com colaboração de Jefferson Wille Kielwagen

Divulgação

Longa-metragens babadeiros que não chegam ao Brasil, a não ser em festivais. Uma pena

 

Por mais contraditório que pareça, a verdade é que ‘elas’, as distribuidoras brasileiras de filmes, têm alguma coisa contra o próprio cinema. Pelo menos, esta é a única conclusão a que se pode chegar quando vemos a maneira como alguns filmes estrangeiros são completamente mutilados e aniquilados de sua intenção original quando lançados no Brasil.

Além disto, há também uma enorme quantidade de filmes americanos, europeus e canadenses que as distribuidoras daqui simplesmente ignoram. Elas resolvem que o público brasileiro não deve assisti-los, e nunca os lançam no Brasil – e o pior é que, entre estes, estão ótimos filmes com temática GLBT!

É claro que, em alguns poucos festivais de cinema que acontecem apenas em grandes cidades do Brasil, um público limitado às vezes chega a ter acesso a um ou outro filme gay dentre as dezenas de títulos lançados pelo mundo todos os anos. Mas se você não faz parte deste público e quer ver bons filmes gays que nunca serão lançados nas locadoras por aqui, ainda há algumas soluções possíveis.

Uma delas é comprar o DVD original, seja em lojas virtuais como a brasileira CD Point ou a americana Amazon ou diretamente na distribuidora americana TLA Video. Outra solução é simplesmente baixar o filme pela internet através de programas como eMule, e assisti-lo no seu computador (atenção: não estamos incentivando a pirataria – no caso de baixar um destes filmes gratuitamente pela web para assistir em casa, você não estará comprando nem vendendo cópias falsas de produtos existentes no comércio de nosso país, e portanto não estará cometendo nenhum crime).

Veja estas dicas abaixo, e se você tiver aqüé sobrando, procure o DVD importado para comprar. Caso contrário, baixe o filme pela internet mesmo. Não espere pela boa-vontade das distribuidoras brasileiras, e divirta-se!

Loggerheads, de Tim Kirkman. EUA, 2005. 95 min.
Site oficial: www.loggerheadsmovie.com
Filme super emocionante que fala sobre relações familiares. Na verdade, a trama intercala três histórias paralelas que acabam reunidas através do personagem Mark, um jovem que anda sem destino e que chega a uma praia onde conhece um homem que o convida para morar no hotel de sua propriedade. A trilha sonora é perfeita, e o filme é também estrelado pela carismática Bonnie Hunt em uma interpretação surpreendente. Para assistir com uma caixa de lenços de papel por perto.

Breakfast on Pluto, de Neil Jordan. Irlanda/Inglaterra, 2005. 135 min.
Site oficial: www.breakfastonpluto.co.uk
Um dos mais conhecidos cineastas europeus, Neil Jordan já tratou do tema da transexualidade em The Crying Game, seu premiadíssimo filme de 1993 lançado no Brasil com o nome de Traídos pelo Desejo. Jordan agora volta ao assunto de maneira bem mais light e lúdica contando a vida do travesti Patrick, que ainda bebê é abandonado pela mãe em uma pequena cidade do interior da Irlanda. Quando adolescente, então nos anos 70, Patrick vai para Londres à procura de sua mãe e se envolve em uma série de situações que poderiam ser dramáticas – mas que ele encara com otimismo no caminho para uma vida feliz.

Eating Out, de Q. Allan Brocka. EUA, 2004. 90 min.
Site oficial: www.gayhomes.net/rickandsteve/eatingout/index.html
O gatíssimo Ryan Carnes – que fez uma ponta na segunda temporada de Desperate HousewIves como Justin, o namorado de Andrew – estrela esta comédia leve no melhor estilo sessão-da-tarde. Ryan interpreta Marc, um belo rapaz que se apaixona por Caleb, um cara hétero que finge ser gay para tentar ficar com Gwen, uma amiga de Marc – que por sua vez é o objeto da paixão de Kyle, que é o melhor amigo de Caleb. Parece confuso, mas tudo se explica e este “quadrado amoroso” acaba sendo super divertido (e mesmo que não fosse, só as cenas de Ryan Carnes sem camisa já valem super à pena!)

Luster, de Everett Lewis. EUA, 2002. 90 min.
Site oficial: www.luster-film.com
Com personagens, diálogos e interpretações que lembram muito o estilo trash de John Waters, Everett Lewis conta a história de um grupo de jovens gays e lésbicas de Los Angeles que lidam com desilusões profissionais e amorosas. O filme não é um drama, mas tem momentos tristes. E também não é uma comédia, mas tem momentos hilários. Assista e tire suas próprias conclusões.  

FAQs, de Everett Lewis. EUA, 2005. 95 min.
Site oficial: www.faqsfilm.com
Assim como Luster, este filme é escrito e dirigido por Everett Lewis e fala sobre um grupo de jovens – mas desta vez o foco é na homofobia. O personagem principal é India, um rapaz que vive na rua e é abrigado por Destiny, uma travesti que dirige filmes pornôs e que ajuda outros jovens a construírem suas vidas. O filme chega a ser um pouco exagerado, mas é uma grande lição contra a adversidade e o preconceito.

Ice Men, de Thom Best. Canadá, 2004. 108 min.
Durante um final de semana de inverno, um grupo de amigos se encontra em uma cabana nas montanhas para comemorar o aniversário de um deles. Aos poucos, ressentimentos são revelados, e emoções e romances vêm à tona. Um dos personagens (o mais lindo de todos, e o que mais aparece sem camisa!) é enrustido, e acaba transando com um dos seus amigos em uma cena de tirar o fôlego. O filme é bem realista, e os personagens são bem humanos: todos têm defeitos e qualidades, e ninguém é só mocinho ou só bandido. É uma boa dica para quem curte filmes mais sérios e com um sentido psicológico.
 
Boys In The Sand, de Wakefield Poole. EUA, 1971. 95 min.
Sim, este filme é pornôzão mesmo – mas sua presença nesta lista se justifica por um motivo cultural: Boys in the Sand é o filme que marcou o início da indústria pornô gay como hoje a conhecemos, e esta edição em DVD traz comentários super interessantes do diretor Wakefield Poole tanto sobre o filme como a sobre a homossexualidade nos anos 70. Apesar da existência de curtas-metragens amadores no circuito underground, Boys In The Sand  é considerado como o primeiro filme pornô gay da história pois foi pioneiro em vários aspectos: foi o primeiro filme de longa metragem do gênero e o primeiro a estrear nos cinemas e a exibir créditos com nomes dos atores. Além disso, Boys In The Sand foi também responsável pela criação do primeiro ícone gay masculino pornô: o ator Casey Donovan. (Obs: se você se interessou, aqui vai uma dica: a primeira edição da revista G HOT já falou sobre este filme na matéria especial sobre a história do pornô gay, e a segunda edição vai trazer uma reportagem completa exclusivamente sobre Boys In The Sand, falando sobre cada cena e os detalhes de bastidores).

Se você quiser ver mais opções de filmes gays que as distribuidoras brasileiras não querem que a gente assista, vá direto à seção gay do site da TLA Vídeo (clique aqui) ou baixe aqui o catálogo completo com mais de 50 páginas.

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