16.02.06
A noite do sábado (10) foi única na Bahia. Pelo menos na terra do Acarajé nunca se viu um desfile de moda em que as modelos fossem todas travestis. E ainda mais, que elas mesmas fossem as costureiras das suas próprias criações. Pois é, a Atras – Associação das Travestis da Bahia, uma entidade criada há 10 anos fomentou o Projeto “Passo à Passo conquistando espaço” e conseguiu colocar na frente de uma máquina de costura 22 travestis que ao longo dos últimos três meses passaram da modelagem ao corte e da costura a customização de roupas. Mas que seja orientada à se preservar das DSTs/AIDS e que sempre tenha a auto estima elevada. Agora, quem desejar mudar de profissão ou simplesmente ter um conhecimento a mais, que lhe capacite sobreviver no caso de uma adversidade, então nós estamos aqui para fazer a nossa parte” diz a presidente da Atras, Michelle Marie. A primeira parte do desfile foi feita com as travestis manequins desfilando na passarela um colete de Kami, que elas mesmas fabricaram logo no comecinho do curso. Depois enriqueceram a noite com roupas bacanas. Algumas das modelos desfilaram com trajes de noite, outras em esportivo ou roupas temáticas. Intercalando as etapas do desfile, a platéia pode assistir um happening teatral com atores gays, vários shows de transformismo e alguns discursos como o do antropólogo Dr. Luiz Mott “dá primeira vez que saí às ruas incentivando as travestis num protesto em frente da Secretária de Segurança Pública, as pessoas atiravam pedras, pedaços de pau e sabugos de milho com raiva e muito ódio, hoje as vejo aqui, lindas, organizadas e num grau de amor próprio de fazer inveja, me sinto orgulhoso de ter dado espaço no GGB à criação da Atras”. O curso de Corte e Costura que culminou com este desfile foi uma iniciativa que contou com a ajuda da Pathifinder do Brasil e da Coordenação Estadual DSTs/AIDS na pessoa da sua titular, Edvânia Landim. Keila Simpson, presidente da ANTRA, a Associação Nacional das Travestis estava presente e foi a coordenadora do curso que teve como professora Creuza e o local de aprendizado, o ateliê de criação coletiva da Atras no bairro do Gravatá.
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