DJ residente da Jump dá
entrevista ao ParouTudo
Tudo começou com uma coleção de discos de vinil e o sonho de tocar uma só noite em uma boate. O tempo passou e hoje Silver, um dos DJs mais conhecidos da cidade, conta um pouco dos prazeres e dificuldades de ser um DJ GLS
Como começou o lance de DJ?
Tudo começa com a paixão pela musica, desde os meus 14 anos que coleciono discos de vinil, e sonhava em tocar só um dia numa boate, não sempre. Com 21 anos fiz um curso de DJ, mas só fui me apresentar mesmo sete anos depois em uma festa particular aqui no Jump mesmo. A Regina (proprietária) gostou do meu som e me chamou pra trabalhar na casa. Comecei aos domingos, depois todo fim de semana, daí larguei o meu trabalho na Secretaria da Fazenda pra tocar de quarta a domingo e estou há oito anos na noite de Goiânia.
E o namorado como que fica? (detalhe: o namorado estava presente)
Ah (risos), ele compreende, eu acho. Não acha chato não. Nunca conversamos sobre esse assunto, não tem um porém. Ele gosta muito de musica também, o que ajuda bastante. Enfim, não atrapalha. Ele vem, fica comigo, dança um pouco... É normal.
Sobre pedidos? As pessoas pedem pra trocar de musica, pra tocar só o que elas estão acostumadas?
Bom elas sempre pedem o que é hit, o que esta tocando em rádio... Quando estava passando a novela América, elas nem pediam o nome da musica, chegavam e pediam a musica da "Sol" (risos), mas a campeã é a Madonna, estando ou não com musica nova, todo dia elas pedem. Mas vai do meu estado de espírito. Nem sempre posso tocar o que eles querem, porque eu tenho uma programação tanto da casa como minha pra seguir. Na sexta eu toco um tipo de som e no sábado outro.
Qual seu gosto musical?
Hoje eu toco house e electro. Já gostei muito só de vocal, mas com o tempo acho que a gente vai se aperfeiçoando e gostando de outros estilos. Atualmente, quando rola um convite fora eu já pergunto o que querem, porque se for vocal eu já não gosto muito de tocar, meu lance agora é o house, vou tocar vocal na Parada porque acho que é o espírito.
Aparecem muitos convites pra tocar fora da boate?
Rola sim muito convite pra tocar fora, mas eu nunca vou. Não que a Regina não libere, a casa me da total liberdade, acontece que eu não me sinto bem tocando fora daqui. Já me chamaram pra tocar em Brasília, Tocantins... Acho que entre tocar em outro lugar e ganhar o mesmo tanto prefiro ficar aqui. A Regina quer me levar pra Brasília agora, a gente ainda vai conversar, mas a minha prioridade é aqui. O Jump me satisfaz.
Como você sente que uma musica vai bombar?
Tem aquelas que sempre viram hits instantâneos tipo, Madonna, Beyoncé, Cher... Essas você pode tocar que a galera reconhece a voz e vai gostar e dançar. Tem outras que são muito difíceis de achar e pegar, você pensa que vai bombar, que vai ser tudo e acontece o contrario, ninguém curte. Daí fica ali tentando, sempre tocando, passa uns cinco meses, você nem quer mais tocar a musica, daí eles começam a pedir e a gostar dela, que foi o caso de “On My Own” da Whitney Houston.
Qual a hora certa de tocar aquela musica?
Eu costumo quebrar muito a pista, pela residência eu tenho que tocar de tudo, mas não toco, eu não coloco funk nem trance, mas como o house é muito diferente eu faço trechos. Quando a galera ta cansada eu vario um pouco, jogo uma musica que eles gostam mais e as melhores sempre deixo mais pro final. Eles pedem, dizem que estão indo embora e que queriam ouvir aquela musica, mas tem que esperar... De uma em uma hora, sei lá, eu jogo um hit.
Será distribuído um CD no dia da Parada?
Ah sim, são 100 CDs com musicas selecionadas especialmente pra galera, com musicas de drag. Não coloquei muito o meu gosto, coloquei aquilo que o povo gosta, a principio seria uma seleção destes dez anos de Parada, mas ficaria meio difícil, não caberia só em um, então coloquei as mais atuais.
Você, como alguns outros DJs, não pretende lançar um CD com musicas de sua autoria?
Não sou dotado de muita paciência e este é um trabalho muito minucioso. Tem DJ produzindo musicas próprias, mas a maioria ainda opta pelo remix pirata, já que as produtoras não liberam nada e o mercado está muito escasso. A pessoa tem um computador, internet, grava seis musiquinhas, chega no lugar diz que tem umas músicas boas e que trocam cachê por bebida. O DJ que quer se manter tem mesmo que procurar um diferencial e a produção é um deles, mas é um trabalho mais complicado.
Pretende ficar como residente aqui ou tem planos de ir pra outro lugar?
Não! Enquanto existir essa boate eu to aqui. A Regina diz que sou parte da boate, praticamente um móvel (risos). Chegou eu estou lá no meu cantinho. Mas pintando uma proposta legal eu vou, desde que não me atrapalhe aqui, o Jump sempre em primeiro lugar, depois os outros.