Milhares de pessoas coloriram
a capital federal neste domingo
Publicado 18.06.2007 : : Ricardo Lucas e Pedro Muniz
Fotos: César Rebouças e Pedro Marra
Ricardo Lucas /ParouTudo
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Foi num clima de paz e alegria que aconteceu no domingo (17) a 10ª parada do orgulho LGBTS de Brasília. A data marcou a volta da manifestação para o Eixão com recorde de público.

Em dia de sol forte, as pessoas reuniram-se independente de cor, raça, sexo ou orientação sexual para celebrar o Orgulho Gay e clamar por direitos de LGBT. O trajeto partiu da 109 sul, deu a volta na Rodoviária do Plano Piloto e teve seu término no canteiro central na Esplanada próximo ao Complexo Cultural da República. A animação do evento ficou por conta de três trios elétricos, que contavam com DJs da cena GLS para ferver o público que dançou animado até o fim da noite.

A concentração começou a partir das 14h e a abertura oficial foi dada após as 16h quando a avenida já estava abarrotada de gente. “Nós não devemos nada a ninguém. Discriminação sexual é burrice”, falou Elker Barros organizador da Parada Gay de Taguatinga, que já tem a sua segunda edição marcada para o dia 23 de setembro. “A nossa parada de Taguatinga foi a primeira manifestação LGBT de uma cidade satélite”, complementou.

A deputada distrital Érika Kokay (PT) afirmou que o evento é uma demonstração da luta da população pelo exercício dos direitos humanos em Brasília. “A humanidade é uma só, com várias etnias e várias formas de amar, mas continua sendo uma só. A cidade precisa marchar pelo direito à diversidade, a parada é a marca da liberdade no asfalto”, defendeu.

Após a execução do Hino Nacional, Welton Trindade, presidente da ONG Estruturação deu início à 10ª parada do orgulho LGBTS de Brasília e a multidão começou sua caminhada em meio a muita música e alegria. Milton Santos, também do Estruturação, destacou o grande números de presentes. “Esta massa está visibilizando uma população que sempre esteve invisível”, agradecia. Neste ano a organização preferiu diminuir os discursos na abertura e dividi-los entre os carros e o percurso, interropendo por alguns instantes a música. A redução dos discursos também foi notada pelo aumento de banners de apoiadores e sua constante citação durante o trajeto.

“Esta é a segunda vez que venho à parada de Brasília, mas a primeira que participo da concentração e até agora estou adorando tudo”, afirmou o estudante Paulo Renato que participou do evento com mais três amigos. “As pessoas querem se divertir e ao mesmo tempo lutar pelos seus direitos”, relatou Patrícia Souza, simpatizante da causa que curtia o evento pela primeira vez. Um grupo inteiro de Anápolis também marcou presença pelo terceiro ano consecutivo. “Com certeza é a Parada mais linda do Centro-Oeste”, ressaltaram.

Sem dúvida alguma a volta da manifestação para o Eixão na Asa Sul contribuiu para o fácil acesso e para atrair o olhar e a presença de curiosos, aumentando significativamente o número de presentes. Famílias inteiras curtiam a Parada de suas janelas, embaixo das árvores ou em cima do meio-fio. “A realização de um evento deste porte serve para diminuir o preconceito que domina a cabeça das pessoas. Aqui as pessoas são alegres, receptivas, quem não veio está perdendo”, comenta a dona de casa “Nú”, que veio com alguns amigos e garantiu que no ano próximo estará de volta.

O apelo ao uso da camisinha foi uma constante durante todo o percurso. Vários voluntários estavam espalhados pelo meio da multidão distribuindo preservativos e informando a população de que testes de HIV são feitos na rodoviária do Plano Piloto gratuitamente.

A emoção tomou conta por completo quando por volta das 19h a marcha tomou a Rodoviária do Plano Piloto. Os carros que estavam em volta engarrafados buzinavam em sinal de apoio e as pessoas que por ali passavam nas plataformas superior e inferior pararam para ver a festa que em nenhum só minuto perdeu sua animação. “A parada não é só hoje, é sempre. Temos que lutar por nossos direitos todos os dias”, enfatizava Welton enquanto alguns fogos de artifício iluminavam o céu da capital e uma chuva de papel picado cobria a Rodoviária.

A manifestação sucedeu pacífica e sem nenhuma ocorrência grave. Infelizmente acabou sendo um pouco corrida por ter que liberar o Eixo Rodoviário logo às 18h, mas não prejudicou a animação de quem estava ali para marchar e curtir. No trajeto, apenas os banheiros químicos faltaram.

       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       

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