Taguatinga realiza sua
primeira parada do orgulho

Com uma hora de atraso, a primeira Parada do Orgulho LGBT de Taguatinga conseguiu transformar a tradicional Avenida Comercial Norte em uma festa pra lá de colorida. Dois trios elétricos animaram com muita música eletrônica o evento que teve início às 15 horas e terminou cerca de 20h.
De última hora o trajeto da parada teve que ser alterado. “Decidimos mudar por causa do metrô que passa por baixo, a praça não suportaria o peso de dois trios e das pessoas que estavam participando”, afirmou Elker Barros, idealizador da Parada.
Apesar do longo trajeto, as pessoas que estavam presentes não desanimaram e seguiram os trios até o final. Muitos ainda tiveram pique para continuar a festa em outros locais. Várias pessoas foram pra UTI Beer e para o Bar Barulho continuar a festa que terminou mesmo ao amanhecer.
O tema “Na periferia todo dia é mais uma Parada conquistada” e “Viver sem homofobia é viver com alegria” fez as pessoas refletirem sobre o assunto. “Temos que protestar sim pelos nossos direitos e contra a homofobia. Somos todos iguais, as pessoas devem respeitar as diversidades”, disse Sandro Michael, estudante.
Algumas pessoas não concordaram com o tema, como a universitária Lívia Nogueira. “Ficou parecendo que moramos na ‘Cidade de Deus’, que aqui todo mundo sofre preconceito e é agredido constantemente, não é a realidade. Preconceito existe em todo lugar”, afirma.
Como tem acontecido em outras paradas, a falta de banheiro também foi um problema em Taguatinga. “Eu e minha amiga tivemos que procurar banheiros nas lanchonetes que havia durante o percurso. Tinham poucas abertas e as filas estavam dando voltas”, disse Bárbara Lobato, estudante.
A parada não registrou nenhuma ocorrência grave, apesar de ter o número minguado de 10 policiais militares dando apoio ao evento. “Eu estava dançando perto do trio com uma amiga, quando um homem se aproximou, grudou o corpo no meu. Pensei que ele queria passar, mas ele correu. Só aí percebi que ele tinha levado meu celular”, afirmou Sandro.
O responsável pelo evento afirmou à equipe do ParouTudo que a Parada foi da maneira como ele esperava, só lamentou pelas drags que não puderam ir. “A Mona Karvoeira estava com problema de saúde e não pôde vir. Já com a Pinnk Blush, não sei o que aconteceu. Combinamos de mandar um táxi buscá-la, mas ela não atendeu nenhum dos meus telefonemas”, afirmou.
Mesmo com todos os contratempo, a primeira Parada de Taguatinga foi um sucesso. Várias pessoas ouvidas pelo ParouTudo elogiaram o evento. Algumas pediram para não serem identificadas (ok, afinal foi a primeira parada de lá).
“Achei a parada de Taguá ótima. Tinha muita gente. Foi muito bom terem feito em Taguatinga por ser uma cidade-satélite totalmente independente, até mesmo onde se concentra um bom número de pessoas do meio GLS” – Sandro Michael, estudante
“Achei o máximo a parada. Espero que nas próximas o número de pessoas cresça ainda mais. É importante que vejam e respeitem a nossa diversidade” – Washington, comerciante
“Adorei a parada ser em Taguatinga por estar no nosso convívio, ser na cidade que tanto amamos” – Carlos
“É muito legal a parada ser aqui. Taguatinga é mesmo uma diversidade, é o point gay do entorno” – Mariana
Mico
O trajeto passou por duas igrejas evangélicas. Na porta, os fiéis “rezaram” pelos passantes com as mãos estendidas. Será que realmente acharam que o público estava possuído?
Transtornos para os moradores próximos ao trajeto. O trânsito foi fechado e todos tiveram que aguardar toda a parada passar para que pudessem seguir de carro. “Estou aqui parado neste sinal há 20 minutos. Não havia sinalização nenhuma quando desci a rua”, reclamou Geraldo Alves(39).
Mais comentários: as pessoas se aglomeraram mais em volta do primeiro trio que trouxe o DJ vilson e Groove. O segundo trio comando pelas meninas, ficou mais a cargo de palavras de ordem e protesto.
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