Luciana Barbo, do jornalismo de
gastronomia ao mundo da moda

19.09.06 : : Susane Moraes , da Equipe ParouTudo
Arquivo/ParouTudo
Estilista lançada no BFF, Luciana Barbo é um dos novos talentos candangos

Começar é sempre uma incógnita, ainda mais quando se espera muito por ser conhecida na cidade. Foi o que aconteceu com a Luciana Barbo, estilista lançada no Brasília Fashion Festival como um dos novos talentos candangos.

Aos 29 anos, Luciana tem uma vida corrida e dividida entre família, em especial a filha de quatro anos, os amigos, a carreira de jornalista e a paixão pela moda. Desde criança, aprendeu com a mãe e a avó, ambas costureiras, a apreciar o mundo do corte e costura. Aos 16 anos, trabalhou como balconista na loja Pakalolo, que foi febre entre os jovens nos anos 80 e 90.

Para se inteirar do que rola no mercado fashionista, Luciana compra pelo menos seis revistas de moda a cada mês e também livros. “Quem não tem formação acadêmica em moda, tem de ser informar de outro jeito”, afirma.

Amante de música e viagens, a jovem estilista também adora andar pelas ruas observando as pessoas, sair com os amigos e a filha. “Loja de tecido é minha perdição. Digo que vou dar uma passadinha e acabo ficando horas olhando as prateleiras”, diz.

A equipe do ParouTudo, cada vez mais enrabichada pelo mundo da moda, bateu um papo com a simpática estilista:

Quando você começou a trabalhar com moda?
Comecei há três anos, após um convite para participar de um desfile. Fiz toda a coleção, mas não houve o evento. Então, vendi as peças para algumas amigas e colegas jornalistas. Antes disso, eu já era apaixonada por moda, porque minha avó e minha mãe foram costureiras e eu costumava fazer roupinhas para as minhas bonecas com os retalhos que sobravam.

Quem influenciou você a ser estilista?
Primeiramente minha avó e minha mãe. Hoje alguns estilistas me inspiram muito, entre eles Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch, Jum Nakao [que foi mestre dela no processo pré-BFF], Miuccia Prada e Marc Jacobs.

Como foi começar? Quais dificuldades você encontrou?
O início sempre é complicado, principalmente quando não se tem alguém que te banque. A primeira dificuldade é, sem dúvida, o dinheiro. Depois, você esbarra na mão-de-obra, que em Brasília, infelizmente, ainda é caótica. Aqui também é complicado encontrar matérias-primas (tecidos, aviamentos) diferentes. Às vezes, nem o básico a gente encontra ou se encontra, é muito caro. A solução é comprar em São Paulo ou Belo Horizonte, onde a oferta é melhor.

Você é jornalista de culinária e estilista, dois trabalhos bem diferentes, como é trabalhar nesses dois opostos? Como está sendo conciliar os dois?
Sou formada em jornalismo há cinco anos. Comecei cobrindo cultura, moda e comportamento. Há cerca de 2 anos e meio, venho escrevendo uma coluna semanal sobre gastronomia. Eu adoro! Sou fascinada por jornalismo também e nesse período pré-BFF tive que negociar com meus chefes para ter a manhã livre. Agora estou fazendo meu horário normal, que é das 11 às 20 horas, em média, com um intervalo para o almoço. O início da manhã, o horário do almoço, a noite e os finais de semana são dedicadas à moda, à família e aos amigos. Minha vida é bem corrida, mas tenho que me manter no meu emprego, porque é com ele que pago minhas contas.

Como foi criar a coleção para o BFF?
Foi bem bacana. Adorei o convite e aceitei sem pensar duas vezes. Depois defini o que queria fazer e optei pelos anos 60. Então fui para São Paulo comprar matéria-prima e quando voltei, comecei a desenhar. No primeiro encontro com o Jum Nakao eu já tinha tudo desenhado. Ele foi me dando uns toques para agregar valor aos tecidos, alguns conselhos importantes sobre modelagem e acabamento e, no final, deu tudo certo.

Qual foi a sensação de ver seu trabalho sendo reconhecido e aplaudido?
Fiquei muito emocionada. É uma sensação boa, mas ao mesmo tempo inexplicável. Quando entrei na passarela e vi aquele tanto de gente, não conseguia raciocinar direito. Ainda por cima, minha filha (que eu não via há três dias) pulou na minha frente e a única reação que eu tive foi colocá-la no colo e continuar andando. Foi lindo! Depois vieram as matérias nos jornais e pude perceber que a coleção realmente agradou.

Não deu um "friozinho na barriga" por apresentar sua coleção nesse grande evento ao lado de nomes e marcas conhecidas?
Deu um friozão. Foram dois meses de trabalho duro (dormindo às 4h da manhã e acordando às 7h) e eu tinha medo de não agradar, mesmo com o Jum dizendo que estava tudo OK.

Você acha que agora com os eventos de moda em Brasília o mercado de moda tende a ficar melhor?
A gente espera que sim. Mas esse é só o começo. Confio na Paula Santana e na Vanessa Mendonça, da Maxi Branding (organizadora do BFF), quando elas dizem que querem fazer um trabalho continuado. Isso é bom, tanto para mim, quanto para os outros que participaram comigo e também para aqueles que ainda vão ingressar no evento.

O que falta para Brasília ser reconhecida nacional e mundialmente no mercado de moda?
Precisamos consolidar essa preocupação com a moda e isso passa pelo apoio governamental, pela criação de cursos de capacitação de costureiras, de modelistas, por exemplo. Precisamos de várias coisas e de gente que esteja realmente interessada em moda.

Depois do desfile, como está seu trabalho na BSB Mix?
Não fiz o BSB Mix depois do desfile. Fiz um evento na semana passada, chamado Restaurant-room, no Azulejaria, para mostrar novamente a coleção. A idéia desse evento é aliar o meu lado jornalista com o lado estilista. Em breve vamos fazer outro desses.

Quais são seus anseios e projetos futuros?
Vou começar a fazer um curso de modelagem e depois pretendo fazer um de costura. Preciso aprender todas as fases do processo de criação. Por enquanto, estou na fase do desenho e do feeling. Mas quero poder construir uma coleção inteira sozinha (desenho, modelagem, corte e costura) se for necessário. Um bom estilista precisa saber tudo isso e eu estou apenas começando. Tenho muito a aprender! Também pretendo encontrar lojas estilosas pelo país para venderem minhas criações.

 

Serviço
As peças podem ser conferidas no escritório da Maxi Branding, no Centro Comercial Gilberto Salomão, em frente a Trend Lounge.
Telefone: 61 3248-6899. Encomendas: 61 8116-5004

Hoje, 19 de setembro, tem Show Room da Luciana com mais seis novos talentos e as quatro cooperativas que se apresentaram no BFF. É a partir as 19h, na Maxi Branding.

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