Três dos novos talentos do CFW
mostram serviço na quinta-feira

Uma velhinha surta no meio da platéia impaciente e puxa um grito de “Começa, começa!”. O restante adere em coro. Marcado para as 16h, o desfile dos novos talentos Camila Prado, Mila Petry e Romildo Nascimento só começou uma hora e meia depois do previsto. Minutos após o surto coletivo, tem início o desfile.
Camila Prado
A "novata de segunda vez" levou o universo das pinups americanas para a passarela em uma coleção bacana, cheia de fru-frus, estampas de bolinhas, saia rodada e bem 50s. A cartela trouxe preto e branco casados com vermelho, amarelo ou verde musgo. Sem querer, a estilista que no ano passado caiu no gosto do povo com trabalho inspirado em bonequinhas japonesas, lembrou uma “prima pobre” do desfile da Ortiga realizado na noite anterior. Pobre por falta de produção, apenas por isso.
Mila Petry
Em seguida, com esquema mega, Mila Petry ofuscou a colega. Levou para a passarela música ao vivo e inspiração no mar. A estilista desfilou uma Iemanjá esvoaçante, leve e sensual. Predominaram os tons de azul e o branco, com detalhes esporádicos em fitas de cetim coloridas que, aliás, atrapalharam o conjunto por darem acabamento grosseiro, pesado.
Sucesso absoluto
Com torcida organizada na platéia, entra a coleção de Romildo Nascimento. O público aplaude, vibra. A torcida, em grande parte, era de Ceilândia, cidade onde mora o estilista. O estreante no CFW supreendeu ao reler as formas de Brasília com bom gosto. Ultramoderno.
Romildo trouxe uma moda com costura elaborada, recortada, reinventada. Nada convencional, mas nada absurda. A rampa do Planalto, os arcos do Palácio da Alvorada, as esferas de Darlam Rosa que adornam o memorial JK. Estava tudo lá, nas formas e nas cores.
O estilista colocou no lixo a [péssima] fantasia de Catedral usada à exaustão nas campanhas do CFW, assinada por uma veterana da cidade, e mostrou um casaco bárbaro inspirado no monumento católico. Lindo.