BFF reúne platéia boa sem
deslumbres com celebridades

Etnia das Artes emplaca coleção inspirada na África
Comandada por Ilcéia dos Santos, a cooperativa brasiliense Etnia das Artes, que reúne mais de 110 artesãs, levou a cultura africana para a passarela do BFF, com imagens de máscaras típicas de tribos bordadas em peças que tinham cara de conforto.
Linho em cores da savana, as mesmas do nosso cerrado do Planalto Central, serviram de base para a coleção. O caqui e o bege, casados com cores fortes como o vermelho e o laranja, fecharam um guarda-roupa leve e bem adaptado ao nosso verão. Nos pés, sandálias rasteiras ou saltão. A mulher da Etnia das Artes veio cosmopolita, sem medo de usar outras etnias.
As músicas foram uma atração à parte. Gostosa de ouvir, teatral e enérgica, a trilha sonora de Felipe Venâncio com instrumentos afro-brasileiros, citações poéticas e muito batuque deram a marcação ideal à condução do desfile. Foi lindo e sentimental.
Anunciação leva estampas e cores vibrantes à passarela
Vibrante, a cartela de cores da Anunciação passou por praticamente todos os tons clássicos da estação. O desfile começou com uma série de vestidos e conjuntos em azul, branco e vermelho, como uma brincadeira com o navy que já está bombando nas vitrines.
As modelos entraram com enormes coques de lã, referência à estética afro, inspirada em mulheres sudanesas, segundo a estilista Maria Elvira Crosara.
O laranja, o rosa e o amarelo foram constantes nas estampas floraise nas bases dos vestidos. O preto com bordados coloridos também estiveram nos vestidos, de cortes soltos e sem muita marcação e às vezes com várias camadas.
No pé, havaianas com clipe de bichinho, um mimo que deve pegar.
Levi’s traz coleção basicona e não inova com peças batidas
Misturando referências góticas, românticas e do rock dos anos 80 de forma sutil, a Levi’s apresentou coleção bem urbana, com peças lavadas e envelhecidas.
Caveiras, rosas e imagens com um quê de protesto surgiram nas estampas. Além de tudo muito batido, o desfile não teve cara de verão. Estava cinza, branco e preto demais. Se fosse só o jeans, ok, mas as malhas vieram com pouca cor e acabaram esfriando o desfile.
As calças mantiveram o resgate do índigo black do inverno passado e trouxeram a novidade do preto Demin, exclusivo da Levi’s.
O global Guilherme Behringer foi o destaque da marca. Graças a Deus, o público do Brasília Fashion Festival se portou bem e apenas meia dúzia de gatas pingadas gritaram para o ator, que entrou fazendo “aviãozinho”. Péssima atitude.
Quem acompanha as semanas de moda da cidade sabe como o povo daqui costuma se comportar quando famosos surgem na passarela. Pelo menos no segundo dia do BFF a roupa apareceu mais do que a celebridade. Ainda bem.