O diretor do programa de aids da China, Sun Xinhua, e sete técnicos do Ministério da Saúde chinês visitaram nesta terça-feira (14/2) o Programa Nacional de DST e Aids, em Brasília. Nos próximos três dias, o grupo conhecerá os principais fundamentos da resposta brasileira de enfrentamento da epidemia, além de questões relacionadas a medicamentos e propriedade industrial. Os chineses também apresentaram as experiências de combate à aids em seu país.
A comitiva veio conhecer as ações do governo brasileiro nas áreas de assistência, tratamento, laboratório, prevenção, orçamento, logística de medicamentos e insumos e cooperação internacional. O Brasil e a China fazem parte da Rede de Cooperação Tecnológica em HIV e Aids, juntamente com Argentina, Cuba, Nigéria, Ucrânia, Tailândia e Rússia. Essa iniciativa tem por objetivo facilitar o intercâmbio de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para produção de anti-retrovirais e outros insumos para HIV e aids.
A China fica no Sudeste Asiático e tem população de 1,3 bilhão de pessoas. Segundo estatísticas do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS), o país tem 630 mil pessoas vivendo com HIV. No país asiático, destacam-se as ações de prevenção realizadas com usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo, populações consideradas mais vulneráveis à epidemia.
De acordo com o último relatório do UNAIDS, na China, um quarto das pessoas que precisam de tratamento tem acesso aos anti-retrovirais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em toda a Ásia, o número de pacientes que necessita de tratamento chega a 1,1 milhão e só 25% deles têm acesso aos medicamentos.
Brasil – Antes de vir a Brasília, a comitiva esteve em São Paulo e no Rio de Janeiro para visitar serviços de saúde e outras instituições relacionadas à resposta brasileira à epidemia de aids. Na sexta-feira (9/2), os chineses visitaram, em São Paulo, o Centro de Referência e Treinamento (CRT) e se encontram com equipe técnica da Coordenação Estadual de DST e Aids.
No sábado, os asiáticos estiveram na fábrica de medicamentos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. No local, eles conheceram os mecanismos de produção de anti-retrovirais. Atualmente, o Brasil produz oito dos 17 anti-retrovirais que distribui, pela rede pública de saúde, para 180 mil pacientes.
A última rodada de reuniões do grupo será na manhã da quinta-feira (15), quando terão um encontro com representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com representantes do Ministério das Relações Exteriores. O assunto em pauta é o direito de propriedade intelectual e a legislação dos dois países sobre o assunto.