Ajoelhou no Altar? Pois é
de lá que sai muito hit GLS

Publicado em 25.02.07 : : Danna Dexter, especial para o ParouTudo
Divulgação

Altar, duo autor de Party People e Piranha do Banheiro, conversa com o ParouTudo

Formado pela dupla de DJs/produtores Macau e VMC, Altar é um duo de São Luís, capital do Maranhão, que arrasa com produções que estouram nas pistas do Brasil e do mundo. Lembra da Piranha do Banheiro? E de Party People? É tudo invenção deles.

Antes de existir a dupla, eles já faziam sucesso separados. Mas foi depois de 2001 com o Altar, formado, que seus hits emplacaram nas pistas GLS.

O Altar ficou conhecido por grandes DJs e produtores internacionais como Peter Rauhofer (queridinho de Madonna) e Chris Cox. Eles chegaram à quinta posição na Billboard com Jeanie Tracy cantando Party People. Se você ainda não ligou o nome a pessoa acesse o www.myspace.com/altardeejays e www.altardeejays.com

 

O ParouTudo conversou com a dupla.

 

Por que Altar?

Macau: O objetivo principal era ter um nome fácil e marcante. Algo que pudesse fixar na mente das pessoas, foi quando escolhemos por Altar, nome que tem a mesma escrita em diversas línguas (português, inglês e espanhol). Leva as pessoas a pensarem que a cabine do DJ não deixa de ser um atar, afinal é o DJ quem comanda e alegra o espírito da noite até o amanhecer.

Qual foi o primeiro grande sucesso de vocês?

VMC: Na verdade eu já tinha produzido alguns remixes como “Madonna – Like a Prayer”, “Party Crasher -  Get Naked”, dentre outros. Também fiz alguns trabalhos próprios como “I Hope You Enjoy” e “Turn Off The Lights” em parceria com o DJ Esteverson (que hoje faz parte do projeto Arenna, também de São Luís). O Macau, por outro lado, já era DJ na nossa cidade e tinha muita curiosidade em produzir alguma coisa eletrônica e pela facilidade em compor suas próprias músicas resolveu propor uma parceria. E deu certo, pois estamos juntos até hoje.

E o primeiro grande sucesso do Altar?

Macau: Sem dúvida “Sexercise”, em 2002, fazendo parte do playlist de clubs e top DJs do mundo inteiro, além de ter saído em vinil e 11 importantes coletâneas internacionais.

Vocês tiveram alguma referência para conceberem as bases do trabalho de vocês?

VMC: Sempre curtimos a ex-dupla Thunderpuss e hoje gostamos também da dupla Rosabel. Em todas as nossas produções nunca esquecemos, é claro, daquela pitada brasileira, afinal de ginga o brasileiro entende muito bem.
 
Hoje o vocal feminino mais conhecido do Altar é Katrina K, mas quem fez os vocais de Get Naked dentre outros?

Macau: Sem dúvidas Katrina K é a nossa marca registrada em termos de voz e música. Mas tivemos ‘Satisfy’, interpretada por Ingrid, que mora em São Luís, a ‘Get Naked, que é uma vocalista do projeto ‘Party Crasher’, não me recordo o nome agora e recentemente a diva norte-americana Jeanie Tracy interpretando ‘Party People’.

A pergunta poderia ser feita pra ela, mas quem é Katrina K? Onde vocês garimparam aquela voz?

VMC: Heloisa Ferreira é uma mulher plural: arquiteta, artista plástica talentosa, dona da griffe So Happy, nossa grande amiga e que hoje mora em Portugal. Tudo começou com um teste, aproveitamos o que ela tinha de melhor: a espontaneidade, risada sem igual, alegria e voz marcante para interpretar “Sexercise”.
 
Como a cena musical internacional encara hoje o Altar? Vocês têm algum grande contrato fechado lá fora, shows agendados ou já realizados?

Macau: Desde o início nós sempre fizemos sucesso lá fora e só depois aqui no Brasil. É engraçado isso, mas é assim que as coisas infelizmente têm funcionado no mercado nacional. É um trabalho constante de divulgação e uma rede de contatos internacionais. Estamos com nosso próprio selo digital chamado MamaHouse Records e estamos aprendendo muita coisa sobre o meio. Nós cuidamos de tudo: do lançamento, divulgação, até a venda de nossos singles. Já temos algumas apresentações agendadas fora do Brasil e iremos divulgar a todos quando chegar o momento certo.
 
Ainda tem gente no Brasil que acham que vocês são gringos?

Macau: (Risos) Com certeza sim, freqüentemente quem ainda não conhece nosso trabalho a fundo se confunde.

Como vocês encaram o fato de grandes publicações voltadas para DJs compararem vocês com o antigo e mundialmente famoso Thunderpuss (dupla de djs formadas por Barry Harris e Chrix Cox)?

VMC: Pra nós é uma grande honra, pois admiramos muito o trabalho deles.
 
É verdade que Sexercise virou toque de celular na Itália?

Macau: Sim, umas das grandes tendências na indústria musical hoje é transformar hits em toques de celular, um mercado que movimenta bilhões de dólares anuais no mundo inteiro.

Como foi a parceria com Jeanie Tracy? Como vocês chegaram a ela?

VMC: Jeanie Tracy (Los Angeles – CA) dispensa apresentações, como sabem já trabalhou ao lado de Celine Dion, Whitney Huston, Mariah Carey entre outras estrelas. Ganhou notoriedade ao lado da dupla “Rosabel” emplacando sucessos como “Power”, “Keep the Party Jump, ”Cha Cha Heels”, “Stand Strong”... Enfim nós entramos em contato com algumas cantoras mas ela foi  quem mais se identificou com o nosso estilo. Foram meses entre negociações e estúdio, tudo via telefone e internet.
 
VMC e Macau são reconhecidos pelo tribal que é uma das bases do trabalho do Altar. Pretendem alçar vôos para outros estilos?

Macau: Com certeza, nós adoramos experimentar e inovar, acho que essa é nossa marca.
 
Vocês são bem reconhecidos dentre o público mais exigente para músicas que é o público gay. Vocês fazem um som direcionado ou toda essa empatia entre vocês e o público gay se deu ao acaso?

VMC: A gente acredita que música não tem idade, sexo ou cor. Fazemos música para todos, porém sabemos que o público GLS se identifica com nossas produções e ficamos contentes, pois sabemos que é um público muito exigente mesmo, quer sempre novidades e adora as batidas tribais com teclados fortes. De fato, esse é o nosso estilo e linha de produção. Pena que o mercado GLS de house music ainda não tem um espaço com devido destaque no Brasil, mas estamos fazendo a nossa parte.
 
‘Piranha do Banheiro’ foi eleita a música de quase todas as paradas do Brasil em 2005. Como foi a concepção da música? Tiveram a ajuda de alguma mona, porque ela retrata com fidelidade algo que os gays brincam muito entre si que é a coisa do ‘banheirão’. De quem é o vocal de Piranha do Banheiro?

Macau: (Risos) Nós recebemos de um amigo a acapella de ‘Alegria’, nome verdadeiro da música, que é interpretada pelo cantor italiano Baby Marcelo. O nosso remix foi uma brincadeira de carnaval, sem a pretensão de virar um hit. Ficamos surpresos com a aceitação imediata, uma música de letra engraçada, que tocou e ainda hoje toca em todas as partes do Brasil, dentro e fora da época do carnaval.
 
Vocês já produziram um hit pra drag maranhense Lennox Dreams. Tem mais alguma drag na mira de vocês?

VMC: Depois que fizemos “Dreams” juntamente com a grande performer Lennox Dreams surgiram várias drags querendo também um trabalho conosco, mas acabou não rolando por falta de tempo e às vezes de propostas interessantes.
 
O que vocês acham da prática de baixar músicas pela internet sem nenhum custo para quem baixa?

Macau: É o pesadelo das grandes gravadoras e o paraíso das bandas e DJs que querem divulgar seus trabalhos no mundo inteiro.
 
Vocês já tiveram, por diversas vezes, mais de uma música no playlist das principais casas noturnas e rádios GLS do Brasil e do mundo. Depois de Sexercise, Piranha do Banheiro, Satisfy e agora Party People, vocês estão ricos?

VMC: (Risos) Não, o mercado está cada vez mais difícil para os artistas no Brasil, a pirataria esta acabando com a indústria fonográfica e o Brasil é um dos primeiros nesse triste ranking. O dinheiro, claro, é conseqüência de muito trabalho, muito mesmo, mas ainda deu pra ficarmos ricos (RS). A gente tem que se superar a cada single. É uma eterna cobrança que temos de nós mesmos.
 
Como as pessoas que são fãs de vocês podem ter acesso aos samples, hits completos e todos os trabalhos de vocês sem ser baixando arquivos pela net?

Macau: Existem os downloads pagos via www.perfectbeat.com, www.beatport.com, www.itunes.com e outros. O que temos em foco agora é o nosso álbum (CD) que está a caminho, ainda estamos na fase de seleção do repertório e no fim do primeiro semestre de 2007 estará nas lojas. Uma grande chance de ter nosso trabalho em mãos.

Vocês um dia pensaram que garotos de São Luís poderiam ser tão adorados mundo afora, desbancando DJs do sul-sudeste?

VMC: Sempre acreditamos no nosso potencial desde o início. O Brasil tem muitos talentos por aí. Não estamos sozinhos nesse mercado, tem muita gente boa fazendo dance music nacionalmente. Pra quem quer entrar nesse mercado, nosso conselho é: “Não desista nunca e tenha sempre como objetivo superar a si mesmo”.

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