Andréa Stefanie acredita que o brasileiro vota mal e distorce a democracia
Nestas últimas eleições tive uma constatação terrível, caros leitores. A democracia, no caso do Brasil, pode ser nociva e até fatal para a saúde psíquica do país e de alguns brasileiros: os que têm conhecimentos do quê e do quanto podem perder se votarem mal!
Tive certeza disso quando abri os jornais dias após as eleições de 1º de outubro. O povo brasileiro elegeu vários acusados de crimes (contra a ordem pública, inclusive!) e candidatos que respondem a vários processos penais, civis e administrativos. E não é só. Réus confessos, também, estão novamente ‘mamando’ o dinheiro da coletividade.
Psicoterapias à parte, a conclusão a qual posso chegar é de que os brasileiros se identificam, corroboram ou ate incentivam os roubos. A massa deve querer um representante ladrão na administração. E pela votação os ladrões tácitos são os mais aplaudidos. Já os réus confessos foram apenas agraciados com mais uma oportunidade de assaltar o Estado.
Ninguém pode dizer que não temos representantes fidedignos ao jeitinho brasileiro no comando do país. Mas o que eu, que não me identifico com eles, posso fazer? Escrever este artigo e expressar meu ponto de vista.
O que podemos esperar?
Eis aqui uns exemplinhos para você, estimado leitor, observar o tamanho do estrago: o novo governador do Distrito Federal é um cara de ética duvidosa. Assumiu publicamente que violou o painel de votações quando foi senador e ainda chorou copiosamente quando a verdade veio à tona.
E Collor está de volta, firme e forte, para mais quatro anos de descaramento e desonestidade. Ele e nosso governador eleito foram referendados, neste pleito, como heróis pela população brasileira. Sem contar com a Câmara Legislativa, repleta de deputados distritais que respondem judicialmente a toda sorte de crimes. Alguns até já assumiram publicamente isso. Outros disseram que os “fins justificam os meios”, rindo muito, enquanto distribuíram terras públicas para assentar famílias inteiras. Usucapião de terras públicas? Que lástima! Dá para imaginar que tipo de organizações e práticas políticas teremos até a próxima votação.
E para você meu leitor, indignado, revoltado, deprimido e engasgado, haverá mais quatro anos de reflexões. Perguntas: você deseja continuar num país cuja população é assumidamente burra e despreparada e incentiva a desonestidade e o roubo? Ou apenas ser uma voz solitária a gritar, em vão, pela consciência do voto, pela ética e cidadania?
Eu escolho o uivo solitário. Pelo menos até receber um convite encantador para morar lá fora. Nova Iorque e Paris são lindas nesta época do ano...
Como conclusão: acho melhor, então, voltarmos a outro regime: Monarquia Absolutista. Talvez com um único roubando e cometendo crimes, o estrago seja menor!
Abraços Transgressores e Inconformados.
*Andréa Stefanie é artista, escritora, ativista dos direitos humanos, estudante de direito e mulher transexual.