'S' cada vez mais deixado de lado
deve ter mais espaço no meio GLBTS

23.06.06 : : Alan Gonçalves
Mike Kemp/Rubberball
Atentar para a exclusão de heterossexuais dos espaços destinados aos gays é um exercício de tolerância e respeito

Preconceito, discriminação e separatismo têm sido fontes inesgotáveis para fomento de discussões acerca das relações humanas. Mais recentemente, tolerância e comportamento politicamente correto também se tornaram termos recorrentes quando o assunto é vida em sociedade.

É interessante notar que as palavras com conotação positiva é que estão em voga. O contraditório é que essa aparente mudança, ou evolução em favor das minorias discriminadas segue um padrão de segregação que também é alvo da luta pelos direitos.

Um exemplo claro dessa divisão de grupos são os serviços oferecidos ao público GLS. Nas mais diversas áreas, como informação e entretenimento, o alvo é único: Homossexuais. O “S” da sigla fica esquecido, lhe restando apenas a oportunidade de compartilhar do que foi feito para gays e lésbicas.

O reconhecimento das minorias já é uma realidade, embora certos direitos ainda não estejam ao alcance de todos. A quantidade de serviços oferecidos, a representação do indivíduo gay na mídia e a participação de homossexuais assumidos no meio político cresceram enormemente nas últimas décadas. Numa sociedade, onde o consumo dá respaldo, é natural que homossexuais, pouco a pouco, conquistem cidadania em estado pleno.

Enquanto isso, atentar para a exclusão de heterossexuais dos espaços físicos e virtuais destinados aos gays, é também um exercício de tolerância e respeito.

A busca pelo direito de ter espaços exclusivos só leva à demarcação de fronteiras, o próximo passo é lutar pelo direito de ser comum, tendo em mente que agregar heterossexuais ao meio gay pode não ser fácil, mas é um esforço recompensador, posto que aliados são importantes na luta por qualquer que seja a causa.

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