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Meu passado me condena?

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Um comentário aqui no blog me questiona sobre minha relação com Uberaba, minha cidade natal. Esse é um assunto engraçado. Não renego minhas origens. Tive uma infância ótima, criativa e saudável. Pela foto dá para ver (sou o da parte de baixo). Mas depois que cheguei à adolescência, percebi que Uberaba não era meu lugar. Essa é a conclusão a que chegam muitos gays do interior, né?

Aos 12 anos, quando comecei a viajar sozinho e a estudar outras línguas (cheguei a cursar 4 ao mesmo tempo), descobri um mundo de coisas mais interessantes do que a cidade poderia me oferecer naquele momento. E isso foi lá para 1996, quando a internet estava começando a bombar. Não tinha outro jeito: ficar em Uberaba me faria muito mal - e ainda bem que meus pais puderam bancar minha vinda para a capital do país.

Por que escolhi Brasília e não São Paulo ou Belo Horizonte? Minha irmã fazia pós-graduação no DF na época em que prestei vestibular, há 7 anos. Fiz Letras-Tradução na UnB e Relações Internacionais no CEUB por 2 anos até trocar de curso para Jornalismo, por causa do ParouTudo).

Fui virando brasiliense ao mesmo tempo em que fui deixando de ser uberabense. Hoje, quando vou visitar minha família, mal tenho contato com meus amigos de lá, nunca falo com parentes que não sejam do meu núcleo familiar e não lembro os nomes das ruas. Não renego minhas origens, tenho boas recordações (exceto do colégio, que é um drama para ser contado outro dia) e sinto muito carinho por algumas pessoas que continuam lá.

Também não nego que gosto muito mais do meu presente longe de Uberaba. Amo Brasília, a arquiteura maluca, o céu, a secura, meu namorado, meus amigos, minha cachorra, meu apartamento, meu trabalho, as oportunidades, a história que estou construindo aqui, sem apadrinhamentos e por mérito próprio.

: : Na foto, eu e meus irmãos, brincando de circo. Meu pai sempre nos incentivou a inventar moda. Vai ver é por isso que sou assim… hehehehe

Comentário:

  1. Por Amigo:

    Bom dia, Tatá.

    Quando leio um texto autobiográfico lembro da comparação feita por Georges Gusdorf entre esse estilo textual e as pinturas de cenas interiores. Nessas, representa-se um espelho em que a cena retratada é refletida. A imagem no espelho não somente duplica a cena, entretanto, atribui-lhe uma nova dimensão em perspectiva distanciada.

    Então, agora, quando você fala do seu passado, atribui uma nova interpretação de acordo com o seu presente…rs…é uma teoria interessante…No entanto, o que gostaria de dizer realmente neste comentário é: QUE FOTO MAIS FOFA!

    Abraços a todos =)


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